Em outubro de 2019, o Whitepaper do Bitcoin completou 11 anos desde a sua publicação. Ao longo de mais de uma década de existência, a principal criptomoeda modificou radicalmente o cenário das moedas digitais e abriu caminho para que outras altcoins fossem lançadas.

Para entender essa história, é de suma importância compreendemos o Whitepaper do Bitcoin, seus preceitos e orientações – e como ele marcou uma revolução no universo financeiro!

O início do Bitcoin: como tudo começou

O marco inicial na história do Bitcoin foi o dia de 31 de outubro de 2008, quando Satoshi Nakamoto lançava um Whitepaper em uma lista de e-mails com discussões sobre critptografia.

Na época, contudo, nem todos os usuários pararam para analisar aquele documento que continha o gérmen da primeira criptomoeda da história. Como todas as ideias revolucionárias, o Bitcoin levou certo tempo até ganhar forças.

Embora seja difícil definir uma data com clareza de quando o Bitcoin começou a tomar forma depois do lançamento do Whitepaper, outro momento histórico sempre citado é o dia 22 de novembro de 2009, quando o fórum Bitcointalk foi criado e os primeiros membros adicionados.

Foi a partir de então que se formou a primeira comunidade de pessoas que acreditavam na ideia de Nakamoto e passaram a fortalecer a nova moeda. Aliás, foi essa comunidade que conseguiu fazer com que o Bitcoin se fortalecesse e enfrentasse as suas crises iniciais.

Esses primeiros usuários, que acreditavam que o Bitcoin teria valor de mercado um dia, foram os que começaram a fazer as primeiras movimentações na revolucionária blockchain.

Foi também em 2009 que o primeiro bloco de Bitcoin foi extraído, chamado de Bloco Gênesis e em 12 de janeiro ocorreu a primeira transação em Bitcoin, quando Nakamoto enviou 10 Bitcoins para o programador e desenvolvedor Hal Finney.

O Whitepaper do Bitcoin: seus principais preceitos

Para que essa história pudesse se concretizar, foi preciso, primeiro que ela nascesse na cabeça de Satoshi Nakamoto – e fosse compartilhada ao mundo pelo Whitepaper. Chamado de “Bitcoin: um sistema de dinheiro eletrônico de pessoa para pessoa”, ele foi estruturado em: abstract, introdução, metodologia e conclusão.

Vamos ver alguns dos pontos principais do Whitepaper do Bitcoin.

Introdução

Nessa primeira parte do Whitepaper, Nakamoto argumenta que a compra e venda de itens pela internet era feita de uma maneira pouco prática – sempre necessitando de instituições financeiras que atuam como intermediárias para processar as transações entre as partes (por exemplo Mastercard, Visa, Paypal etc.). Além disso, essas transações também são totalmente reversíveis.

Por atuarem como uma contra-parte confiável e facilitadora das transações, as instituições financeiras gastam muito tempo resolvendo disputas e lidando com transações fraudulentas – o que aumenta os custos das transações online.

Como forma de resolver esse problema, Satoshi apresenta ao mundo o primeiro sistema eletrônico de pagamento baseado em criptografia, que permite que as duas partes interessadas interajam entre si, sem a necessidade das instituições financeiras como intermediárias.

Uma vez que essas transações criptográficas são computacionalmente irreversíveis, os usuários estarão protegidos contra qualquer tipo de fraude.

Assim, sugere-se a criação de um sistema eletrônico de dinheiro “pessoa para pessoa” (ou, em inglês, peer-to-peer, P2P), baseado em computadores interconectados que trabalham conjuntamente em rede.

Além de todas as vantagens acima, o sistema P2P ainda resolve um antigo problema: o gasto duplo, ou seja, quando se performa duas transações online simultâneas com uma mesma moeda – para isso é usado o hashing e a prova de trabalho, sobre os quais falaremos adiante..

Metodologia

Na seção metodologia, o Whitepaper é dividido em: transações, servidor de carimbo de tempo, prova de trabalho, rede, incentivos, reivindicando espaço em disco, verificação de pagamentos, combinando e dividindo valores, privacidade e cálculos – esmiuçando o funcionamento do Bitcoin.

Transações

De acordo com o Whitepaper do Bitcoin, as transações são cadeias de assinaturas digitais que podem ser passadas de uma pessoa para outra utilizando uma assinatura eletrônica – o Hash. Durante o processo, o remetente do Bitcoin assina eletronicamente as transações passadas e também a chave pública do receptor para quem está enviando o Bitcoin.

Simplificando, a ideia seria como assinar o recebimento de uma encomenda e escrever um endereço para onde a encomenda deverá ser enviada, ou, ainda, como a brincadeira de “passa anel” – mas cada vez que o anel é passado, há um registro de por quais mãos o anel passou. Esse registro é o responsável pela criação da Blockchain – que seria como uma espécie de “livro contábil” de todas as transações com Bitcoin que ocorreram até então.

Para evitar que um usuário enviasse um Bitcoin a várias pessoas ao mesmo tempo foi criado um registro de tempo em cada transação, sendo impossível enviar uma cópia duplicada e, assim, impedindo as fraudes. Por isso, cada transação com Bitcoin é “carimbada” e processada pelo sistema de acordo com a ordem de cada carimbo de tempo.

Dessa forma, ainda que um usuário envie um mesmo Bitcoin a dois receptores, cada um terá um carimbo de tempo diferente e, por isso, o segundo Bitcoin enviado será automaticamente rejeitado pelo sistema.

Na parte dedicada a discutir transações, o Whitepaper do Bitcoin mostra como as transições são realizadas de forma segura e sem agentes intermediários.

O sistema do Bitcoin ainda é responsável por processar cada transação e anunciá-la a todos os usuários da rede, garantindo a moderação da cadeia de transações e impedindo atividades fraudulentas. É esse processo que faz com que não haja a necessidade de um agente intermediário e torna o Bitcoin descentralizado.

Servidor de carimbo de tempo

O Whitepaper também fala sobre o servidor de carimbo de tempo.

Trata-se um software usado para estampar digitalmente o dia e o horário de cada transação. Esse hash com o tempo carimbado é disponibilizado publicamente para todos os usuários e é a prova de que a transação existiu e foi válida.

A assinatura eletrônica da transação anterior também é incluída no hash recém-criado, que cria uma cadeia de transações e faz com que o tamanho da Blockchain só aumente – é por isso que cada vez mais se necessita de poder computacional ampliado para a mineração.

Prova de trabalho

A prova de trabalho requer prova que determinada quantidade de trabalho foi feita pelo sistema. Ou seja, para implementar um sistema de carimbo de tempo em uma rede de computadores (nós), é preciso usar um sistema de prova de trabalho – no caso do Bitcoin é um problema matemático específico que precisa ser resolvido por um computador e a resposta precisa ser divulgada para que o trabalho seja demonstrado.

A prova de trabalho evita o spam na rede com múltiplos pedidos, pois, para conseguir fazer spam seria necessário muito poder computacional. Assim, o Whitepaper do Bitcoin explica como a segurança do sistema é garantida.

Rede

Nessa seção, temos a definição da estrutura e dos processos na rede Bitcoin, que seria:

  1. novas transações são “anunciadas publicamente” para todos os nós;
  2. cada nó coloca a nova transação em um bloco;
  3. cada nó trabalha para resolver uma prova de trabalho para seu próprio bloco;
  4. quando um nó resolve um enigma para seu bloco, ele informa os demais nós;
  5. os nós aceitam o bloco cujo enigma foi resolvido se todas as transações forem válidas e se não existirem problemas de gasto duplo;
  6. os nós passam para o próximo bloco da cadeia;
  7. este processo se repete.

Para considerar a correta, os nós sempre optam pela maior cadeia de blocos. Caso dois nós enviem duas versões do bloco ao mesmo tempo, estes blocos serão processados com base no carimbo de tempo. A cadeia maior será a vencedora. Caso um nó seja desligado e não receber um bloco, o resto dos nós continuará sem ele e o nó que estiver fora do ar será atualizado ao se reconectar à rede.

Incentivos

A primeira transação em um bloco cria um novo Bitcoin que é de direito do nó que criou o bloco; é esse processo que incentiva as pessoas a usarem seus computadores (nós) e conectá-los à rede Bitcoin para ajudar no processamento das transações. A esse processo é dado o nome de “mineração”.

Outro incentivo importante são as taxas de transações – custos adicionais relativos à cada transação. Quando o montante máximo de Bitcoins for minerado (21 milhões), o incentivo para continuar minerando será receber as taxas de transação, que oscilam livremente dependendo do congestionamento da rede.

Reivindicando espaço em disco

É o ponto que trata da alocação da memória. Esta seção do Whitepaper diz que transações antigas podem ser descartadas após determinado tempo (para poupar espaço em disco), mas a raiz da transação descartada deverá ser mantida na Blockchain para que se mantenha intacta.

E, também, que o desenvolvimento de hardwares de computação irá se sobrepor ao tamanho da Blockchain e por isso armazenar a cadeia de transações em um hardware não será problema.

Verificação simplificada de pagamento

Os pagamentos podem ser verificados sem a necessidade de rodar a rede completa em um nó. Se o usuário detiver a cópia da Blockchain mais longa e o hash do bloco, ele poderá verificar o pagamento.

Uma transação não pode ser checada por um nó individual, é preciso que uma pessoa se conecte a outro nó para então serem conectados à Blockchain. Esse é um método de verificação confiável desde que os nós honestos estejam em controle, mas se torna vulnerável caso nós fraudulentos passem a controlar a rede.

Para resolver o problema, um alerta deve ser enviado aos demais nós que detectarem um bloco inválido, para realizarem o download de uma cópia completa da Blockchain para confirmar a invalidez dos blocos. No caso das empresas, é recomendado que elas rodem seus próprios nós para aprimorar a segurança.

Combinando e dividindo valores

O valor do Bitcoin pode ser dividido e/ou recombinado, o que permite que um grande Bitcoin seja dividido em múltiplas partes antes de ser passado adiante, ou que os Bitcoins menores sejam combinados para perfazerem um valor maior.

Segundo o Whitepaper do Bitcoin, no máximo são permitidas duas saídas de cada transação: uma para o receptor e outra que será o troco (caso exista) para o remetente.

Privacidade

Apesar de as transações serem declaradas publicamente, as chaves públicas que identificam indivíduos são anônimas e, por isso, as identidades do remetente e do receptor não podem ser determinadas pelo público. Só é publicamente declarado o montante de Bitcoins que está se movimentando do ponto A para o ponto B.

Cálculos

Esses cálculos são bastante complexos e, para não nos alongarmos demais, é importante destacar que há uma maior probabilidade matemática de um nó honesto encontrar um bloco antes de um nó fraudulento.

Assim, é improvável matematicamente que um nó fraudulento alcance um nó honesto ao fazer uma Blockchain fraudulenta. Por isso, é importante que se aumente o tamanho da Blockchain – pois os nós identificam a cadeia de transação mais longa como a correta.

Conclusão

O Whitepaper do Bitcoin é o marco inicial da história da criptomoeda, explicando seu funcionamento e mostrando seus inúmeros benefícios. Foto: Criptofonia.com.

Por fim, Satoshi concluiu o trabalho se atentando para as principais características do Whitepaper:

Foi graças ao Whitepaper do Bitcoin que a criptomoeda pôde ser lançada e desenvolvida – e que a partir dela outras altcoins fossem criadas, seguindo modelos de funcionamento semelhantes ou tecnologia compartilhada, como é o caso da Blockchain.

Ao longo da sua existência, o Bitcoin percorreu uma longa jornada até se tornar reconhecida e forte mundialmente como é hoje.

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