Além de ser uma das criptomoedas mais antigas, criada em outubro de 2011, o Litecoin até hoje figura entre as 10 maiores. Ao contrário do que se imagina, diversos projetos que já lideraram o ranking no passado praticamente desapareceram. O Litecoin não é um deles. 

Ao invés de criar mais um fork direto do Bitcoin, seu criador Charlie Lee se inspirou em outro projeto da época, Tenebrix, que utilizava o algoritmo Scrypt, ao invés do conhecido SHA256. 

Como toda decisão na vida, há vantagens e desvantagens nesta construção. Estaria o projeto fadado ao fracasso após seu fundador se desfazer de toda sua posição no final de 2017? O desenvolvimento ainda está ocorrendo? Como avaliar a criptomoeda no meio de tanta competição?

Cemitério de criptos

PeerCoin (PPC), Namecoin (NMC) e NovaCoin (NVC) são moedas que já figuraram no ranking das 10 maiores, porém em 2013 e 2014. Atualmente, além da capitalização de mercado abaixo de US$ 10 milhões, sofrem com baixo ou nenhum desenvolvimento.

O site deadcoins.com possui uma lista com centenas de projetos que foram abandonados ao longo dos anos ou simplesmente delistados de quase todas exchanges após perda de interesse pelos investidores.

A verdade é que trata-se de um mercado ultracompetitivo, onde mais de 90% do valor fica nas mãos das 20 maiores criptomoedas.

Derrotas e vitórias do Litecoin

Embora a intenção original de alterar o algoritmo de mineração fosse evitar a concentração através de máquinas mais potentes, rapidamente foram desenvolvidas ASICs específicas para esta finalidade.

No entanto, a decisão por um intervalo entre blocos mais curto tornou-se especialmente eficaz quando a rede do Bitcoin começou a atingir sua capacidade máxima em 2017, necessitando de um tempo maior para atingir determinado número de confirmações.

Outra vantagem de utilizar um algoritmo tão diferente foi evitar os constantes ataques 51% sofridos por projetos que optaram pelo SHA256 do Bitcoin ou algo próximo do Ethash da Ethereum.

Isto ocorre pois é possível alugar o poder computacional de parte destes mineradores e aloca-los para um ataque em moedas menores. No caso do Litecoin, existe a necessidade de um equipamento específico, tornando a moeda líder neste algoritmo.

A controvérsia da Lightning Network

Por se basear no código-fonte do Bitcoin, mesmo que indiretamente, existe uma facilidade muito grande de se aplicar as mesmas soluções no Litecoin. Uma delas, a Lightning Network, permite transações instantâneas a um custo irrisório através de uma segunda camada.

Ao contrário do blockchain convencional, não há um livro de registro de todas as transações na Lightning Network. As moedas originais ficam travadas na rede Litecoin, enquanto seu “direito” circula nesta outra rede, que funciona totalmente ponto-a-ponto, sem necessidade de mineradores.

Por contar com uma equipe de desenvolvedores mais enxuta, além de menos ter divergência entre os apoiadores, o Litecoin conseguiu implementar sua segunda camada três meses antes do Bitcoin.

Isto ajudou a vender a tese de “prata digital”, trabalhando ao lado do gigante Bitcoin, considerado o “padrão ouro” das criptomoedas. A maior parte do estudo, testes e inovação da Lightning Network foi realizado pelos desenvolvedores do Bitcoin. O Litecoin ficou com a fama pelo simples fato de ter antecipado seu lançamento em alguns meses.

A venda do fundador Charlie Lee

Charlie Lee confirma ter vendido toda sua posição – fonte

Acredite se quiser: em dezembro de 2017, próximo do pico histórico das criptomoedas, o fundador da Litecoin, Charlie Lee, informa que se desfez de toda sua posição.

Embora a movimentação seja no mínimo curiosa, a verdade é que Charlie Lee continua à frente da Fundação Litecoin, realizando generosas doações, além de atuar como um mentor para a equipe de desenvolvimento.

O halving de 2019

Assim como o Bitcoin, o Litecoin tem sua emissão de novas moedas cortadas a cada 4 anos. Havia uma grande expectativa para aquele 5 de agosto de 2019. Na teoria, uma redução na oferta poderia causar uma alta no preço, embora seja muito difícil estimar sua demanda.

O fato e que o Litecoin subiu incríveis 240% em dólar nos 7 meses anteriores ao halving, embora em parte causado pela melhora na cotação do Bitcoin, que havia se recuperado do fundo em USD 3.250 no final de 2018.

A chegada do evento poderia ser celebrada por todas as métricas, incluindo a alta no poder de computação envolvido na mineração, o hashrate.

Hashrate, poder computacional da mineração – fonte

Vale lembrar que ao contrário do investidor tradicional, ao comprar uma máquina o minerador está necessariamente fazendo uma aposta de longo prazo, uma vez que a taxa de retorno deste tipo de operação geralmente ultrapassa os seis ou até doze meses.

Mineradora ASIC de Litecoin, modelo L3+ Antminer – fonte

A grande decepção

O momento não podia ser pior, uma vez que o Bitcoin falhava em romper a barreira dos USD 12.000 naquele início de agosto de 2019. Menos de um mês antes, o Presidente Donald Trump havia soltado um post afirmando que criptomoedas não eram reguladas, criadas a partir do nada e serviam para facilitar lavagem de dinheiro.

Com a queda na cotação do Litecoin, muitos mineradores foram forçados a desligar as máquinas, dado que a recompensa por bloco havia reduzido de 25 LTCs para apenas 12,5.

Isto gerou uma “espiral da morte” causada por queda na confiança dos investidores, ao perceber uma menor proteção na rede e crescente risco de ataques 51%. Quanto menor a cotação, mais difícil fica para os mineradores manterem seus lucros.

Hashrate, poder computacional da mineração – fonte

O resultado foi o pior possível: em apenas quatro meses o hashrate havia caído 65%. A cotação da moeda que beirava os USD 100 na época do halving buscava os 45 no início de dezembro de 2019.

O futuro do Litecoin

Em fevereiro de 2019 a Fundação Litecoin anunciou uma parceria estratégica com a moeda Beam, baseada na tecnologia mimblewimble. Embora experimental, permite transações com um grau de anonimato muito maior, além de não trabalhar com um blockchain propriamente dito.

A Fundação Litecoin optou ao longo de 2019 por contratar um desenvolvedor mimblewimble a fim de criar sua própria implementação. Esta tem sido a principal aposta da comunidade, que em breve também poderá contar com as melhorias projetadas para o Bitcoin: Schnorr e Taproot.

Ao contrário do Bitcoin, a moeda criada por Charlie Lee conta com um departamento de marketing, chegando a patrocinar esportes como o UFC de lutas, com grande exposição nas TVs dos EUA, além de contar com sua própria wallet oficial e parcerias estratégicas, incluindo um banco na Alemanha, Weg Bank.


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