Você provavelmente já escutou sobre os tokens não-fungíveis (NFT), a nova mania entre investidores de criptos. O registro no blockchain, este banco de dados distribuído, abriu os mercados de colecionáveis para um novo público que antes não enxergava valor em obras de arte digitais ou cards de esportes.

Para que esta mágica seja possível, duas coisas são necessárias:

  1. Uma ideia bem executada, seja ela uma série limitada de avatares, os bonecos virtuais, uma música exclusiva para os fãs, ou cards esportivos.
  2. Um mercado (marketplace) organizado para o lançamento e intermediação das negociações desses registros digitais.

Pode parecer simples criar projetos de NFT, e realmente qualquer pessoa pode criar registros únicos no blockchain da Ethereum, Solana, ou similar. Além disso, já existem marketplaces que facilitam esse lançamento, como Rarible e OpenSea.

No entanto, o que dá valor a um registro no blockchain é a reputação de seu criador. Jack Dorsey, criador do Twitter, vendeu um NFT que representa seu primeiro post na rede social por U$ 2,9 milhões, por exemplo.

Qual o diferencial da Sorare?

A empresa sediada na França fez parcerias com a liga espanhola de futebol,  Bundesliga da Alemanha, Premier League da Inglaterra, UEFA Champions, Libertadores, Copa América, além dos times Barcelona, Bayern, PSG, Liverpool, Ajax, Corinthians, Atlético Mineiro, Benfica, e Boca Junior.

Desse modo, a Sorare conseguiu lançar cards colecionáveis dos principais jogadores cuja pontuação varia conforme a performance real nas respectivas ligas. Ao se cadastrar no site, você se inscreve gratuitamente em uma das competições virtuais e monta sua equipe.

Onde entra NFT nesse jogo?

A premiação dessa disputa entre os participantes de cada liga virtual são registros no blockchain da posse de cards exclusivos, que vão desde os mais raros de edição única, até os mais simples com 1.000 cópias cada.

Para acumular pontos, é necessário ganhar esses cards vencendo as competições virtuais, ou comprando. É aí que entra o marketplace da Sorare, que oferece leilões regulares para cards recém lançados, além de um mercado secundário onde os próprios usuários negociam livremente entre si.

Quanto vale a Sorare?

No final de setembro, a empresa recebeu um aporte de U$680 milhões liderado pelo SoftBank, avaliando a empresa em incríveis U$4,3 bilhões. Para se ter uma idéia desse valor, a Konami do Japão tem suas ações negociadas na bolsa de valores avaliada em U$7,9 bilhões. 

A tradicional empresa de games está por trás dos sucessos Metal Gear, PES Soccer, Silent Hill, Castlevania, e Contra, que juntamente com outros negócios, gera uma receita anual de U$2,3 bilhões.

O segredo da Sorare é a atividade desses jogadores, ligas e equipes no mundo real, não só atuando como garoto-propaganda, mas efetivamente participando das competições virtuais e postando em suas redes. Ou seja, além das parcerias oficiais, possuem um forte apelo de marketing digital.

Quanto valem os cards dos jogadores?

Até 21 de setembro, a empresa havia vendido U$ 150 milhões de cards em 2021. O mais caro deles, uma edição única do Cristiano Ronaldo, foi comprado por US$ 290 mil.

Mais importante que isso é o crescimento do volume negociado nos leilões regulares, pois isso significa uma receita direta para a empresa. Esse montante saiu de 80 ETH de média diária em junho para os atuais 150 ETH, uma alta de 87% em 4 meses.

Como ingressar nesse mercado?

Ethereum (ETH) é a moeda mais comum utilizada na cotação dos marketplaces de NFT, e a mesma coisa vale para o Sorare. Após comprar uma quantia na BitcoinTrade, é necessário enviar para uma carteira (wallet) compatível com tokens ERC-721.

Em resumo, você deve transferir as moedas da exchange para seu aplicativo ou dispositivo capaz de interagir com o marketplace da Sorare. Dentre os mais utilizados encontram-se a Metamask e Trust Wallet, que possuem versões para PC, Mac, e smartphones.