Todos os dias úteis do ano são oferecidas para negociação na B3 (antiga Bovespa) 337 ações de empresas no total. O que pouca gente sabe é que mesmo contando com a ajuda das gigantes Vale, Petrobras, Itaú, Bradesco e Magazine Luiza, o valor de mercado destas ações é de apenas 750 bilhões de dólares.

Engana-se quem pensa que este é o valor das ações negociadas em bolsa. Na realidade, estamos falando do valor total de mercado das empresas. 

No caso do Itaú, por exemplo, 33,6% das ações estão nas mãos do grupo controlador. Estas ações só poderiam ser negociadas em bolsa de valores com autorização prévia. A queridinha dos investidores, Magazine Luiza? Possui menos de 50% de suas ações livres.

De qualquer maneira, mesmo assumindo o número cheio, isto equivale à metade do tamanho da Microsoft, a terceira maior empresa listada nos EUA. Se somarmos todas as empresas da NYSE e Nasdaq, o valor ultrapassa os 40 trilhões de dólares.

Em suma, o mercado acionário brasileiro pode parecer grande, no entanto, é pouco desenvolvido. Um dos motivos é que as empresas nacionais têm optado por listar suas ações somente nos mercados norte-americanos.

Muito apetite para pouco mercado

Isto cria um problema, pois são 635 gestores com patrimônio superior a R$ 10 milhões registrados no Brasil. Isso inclui alguns gigantes como o BB DTVM, Itaú, BTG Pactual e Credit Suisse. Vale lembrar que um único gestor pode administrar centenas ou milhares de fundos e carteiras.

Aliás, o Brasil é o maior país em número de fundos de investimento no mundo. São quase 15.000 carteiras, um número superior aos EUA, que possuem cerca de 11.000.

Na outra ponta temos listados na bolsa brasileira cerca de 300 ativos com volume superior a R$ 2 milhões por dia, incluindo ações, fundos imobiliários, ações de empresas estrangeiras (ADR), contratos futuros de dólar, juros, soja, boi gordo e ouro.

O resultado? Com poucas opções de investimento no mercado doméstico, cada vez mais os fundos de investimento, e a alocação do investidor, volta-se para os mercados externos. A maior parte dos fundos domésticos de renda variável e multimercados podem alocar até 20% do seu patrimônio no exterior.

Vantagens na diversificação

Diversificar a carteira de investimentos significa alocar em ativos com diferentes classes de risco. Isso vale tanto para alocação entre renda fixa e renda variável, como ativos cotados em moedas mais fortes.

Essa prática protege o investidor contra possíveis perdas causadas por um único vetor, por exemplo, uma crise em determinado país. Além disso, ativos com uma volatilidade maior, como o Bitcoin, em geral oferecem um potencial de retorno mais elevado.

Crescimento dos fundos de Bitcoin

No momento não existe um ETF do Bitcoin, um fundo de investimentos negociado em bolsa de valores com aplicação exclusiva em BTC. No entanto, existem fundos voltados para investidores institucionais, os grandes gestores, que aplicam exclusivamente em Bitcoin.

Nos EUA, a gestora Grayscale administra o Grayscale Bitcoin Trust, com patrimônio superior a 5 bilhões de Dólares. Embora só possa ser oferecido para grandes investidores, sua negociação em bolsa de valores é livre, portanto é possível adquirir cotas no mercado secundário.

Um movimento similar começa a aparecer no Brasil, e já existem fundos de investimento voltados para qualquer investidor com até 20% de exposição em criptomoedas através de investimentos no exterior. O montante dessas aplicações já supera os R$ 100 milhões.

Deste modo, é possível afirmar que cada vez mais o Bitcoin passa a se integrar ao mercado financeiro tradicional. Nesse sentido, esta nova classe de ativos tende a ganhar espaço na indústria de fundos de investimento, elevando o potencial de crescimento das criptomoedas.