As perdas com fraudes nas finanças descentralizadas (DeFi) atingiram um recorde de 474 milhões de dólares nos primeiros sete meses do ano, segundo a CipherTrace.

Apesar de sua escala de 75 bilhões de dólares no total depositado nessas aplicações, esse mercado ainda está longe de ser maduro, quanto mais, seguro. 

O que é Finanças Descentralizadas (DeFi)?

DeFi são serviços financeiros construídos com a tecnologia blockchain.

Por exemplo, as corretoras descentralizadas (DEX) usam algoritmos que definem as taxas de conversão em tempo-real, baseado na oferta e na demanda.

Não há intermediador de operações, como nos bancos tradicionais ou fintechs. Nesse novo ecossistema tudo é automaticamente executado através dos smarts contracts (contratos programáveis), que seguem “um acordo” prévio entre as partes envolvidas.

Os maiores hacks de DeFi

O setor de DeFi decolou, assim como o roubo nestas aplicações descentralizadas. Ao todo, foram 15 hacks em 2020, totalizando perdas de 120 milhões de dólares.

Criminosos no setor cripto roubaram 432 milhões de dólares no final de abril de 2021. Cerca de 56% disso, ou 240 milhões de dólares, foram relacionados a DeFi, um recorde.

Em 10 de agosto hackers levaram 611 milhões de dólares, no que parece ser um dos maiores roubos de criptos de todos os tempos. A vítima da vez foi a plataforma de interoperabilidade Poly Network.

No total, foram roubados USD 273 milhões de Ethereum, USD 253 milhões em tokens na Binance Smart Chain e USD 85 milhões da stablecoin USD Centre (USDC) na rede Polygon.

O que torna o modelo de negócio tão atraente?

Como dito anteriormente, nas finanças descentralizadas não há intermediador. No mercado tradicional, o banco ou fintech toma capital emprestado de quem tem sobrando, e empresta aos demais, cobrando uma taxa, chamada de spread bancário.

Esta diferença entre o custo de captação e os juros de empréstimos inclui margem para lucro, pagamento de impostos, e previsão para calotes.

De modo geral, o DeFi reformula o sistema financeiro, oferecendo vários produtos, como seguros e empréstimos, sem necessitar de um agente centralizador. Dessa forma, se torna altamente rentável, com risco de calote muito restrito, além de poder distribuir as taxas entre seus participantes.

Proteção através de seguros

O seguro de criptomoedas é um dos conceitos mais inovadores e emergentes no universo cripto. No entanto, cabe ressaltar que ainda é bem pequeno.

Um participante conhecido é o Nexus Mutual, um protocolo de seguro descentralizado na blockchain do Ethereum. Em suma, permite a qualquer pessoa comprar cobertura caso ocorra um ataque no projeto escolhido.

Por que o DeFi sofre tantos ataques?

Podemos resumir que os hacks acontecem mediante as brechas das vulnerabilidades do sistema. De modo geral, alguns dos riscos existentes são: 

Risco financeiro: possibilidade de perder todo capital alocado, assim como acontece em toda renda variável;

Risco sistêmico: um token soberano pode sofrer dano, como, por exemplo, ETH e DAI, fazendo com que todos outros protocolos-dependentes caiam;

Bug no smart contract: risco de falha na criação do contrato inteligente;

Risco do oráculo: erro ou fraude no trânsito das informações que informam o “valor justo” aos smart contracts.

O futuro das finanças descentralizadas

Os benefícios dos aplicativos DeFi são promissores, e tudo indica que a indústria de seguros no ecossistema pode crescer para suportar este mercado.

Os desenvolvedores estão trabalhando para reduzir vulnerabilidades e introduzir mecanismos para mitigar riscos, porém é um processo de melhoria contínua.

Apesar dos diversos ataques, as perdas com o crime no mercado de criptos vêm caindo, de 4,5 bilhões de dólares em 2019 para 1,9 bilhão em 2020.

Avalie riscos e ganho potencial

Por isso, é importante avaliar seus benefícios e perigos. Como tudo no universo das moedas digitais ainda é recente, o investidor deve evitar colocar todas as fichas no mesmo pote, e entender a importância da auto-custódia, o controle das palavras de segurança da carteira (wallet).

Tenha em mente que a maior parte da atividade do DeFi ainda é experimental. Lembre-se que, além disso, existem riscos regulatórios e tributários, que mudam entre cada país.