A história do Bitcoin pode ser curta, mas é cheia de detalhes interessantes e relevantes para quem investe na moeda. Um deles é conhecido como “halving de Bitcoin”, que significa, em uma tradução livre, “cortar pela metade o Bitcoin”.

Quando alguém minera um bloco da criptomoeda, ele ganha uma recompensa em Bitcoins. Em 2009, os primeiros mineradores receberam um total de 50 Bitcoins por bloco. Em 2016, essa quantia caiu para 12,5. Esse evento, que reduz pela metade a recompensa, é o halving de Bitcoin.

Neste post, vamos explicar melhor o que é isso, como funciona, qual foi o impacto sobre o mercado das outras vezes em que ele ocorreu e quando vai acontecer de novo. Confira!

O que é halving de Bitcoin?

Para entender o que é o halving, precisamos voltar alguns passos e compreender como funciona o Bitcoin. A criptomoeda é emitida por um processo que se chama mineração.

São computadores usando seu poder de processamento para resolver um problema matemático que vai validar as transações da rede Bitcoin. Esse processo custa caro, já que consome uma enorme quantidade de energia. Por isso, só existe vantagem nessa atividade porque há uma recompensa.

No começo da história do Bitcoin, o primeiro bloco minerado teve como recompensa 50 Bitcoins. O sistema da criptomoeda prevê, porém, que esse número seja reduzido pela metade a cada 210 mil blocos.

Outra particularidade do Bitcoin é que um bloco deve ser minerado a cada 10 minutos, de forma que seja integrado ao blockchain nesse intervalo de tempo e o minerador receba sua recompensa. Com isso, sabemos que o halving de Bitcoin ocorre a cada 4 anos.

O primeiro halving aconteceu em 2012, quando a recompensa caiu para 25 Bitcoins por bloco minerado e o segundo, em 2016, quando passou a ser de 12,5 Bitcoins. O próximo deve ocorrer em 2020 e, depois, em 2024.

Sabemos também que a emissão de Bitcoins é definida e limitada a 21 milhões unidades. Assim, todos os Bitcoins já terão sido emitidos em 2140. Assim, diferentemente do que acontece com o dólar, o real, o euro e as demais moedas, no caso das criptomoedas, a oferta é limitada e conhecida. O que varia é apenas a demanda.

Como a inflação afeta o Bitcoin?

Primeiro, vamos definir o que é inflação nesse caso: é o aumento da oferta de dinheiro em uma economia. Embora estejamos acostumados a pensar em aumento de preços, isso é apenas um efeito da inflação.

Quando falamos do Bitcoin, como sabemos quantas moedas são emitidas em um determinado período, a inflação também é conhecida. No momento, ela é de 3,83% ao ano, mas, após o próximo halving, cairá para 1,8% ao ano, de acordo com o site Use The Bitcoin. Vamos ver, a seguir, como essa redução pode impactar os preços e o mercado.

Quais são os impactos do halving de Bitcoin?

Nos halvings anteriores, a cotação do Bitcoin subiu no ano anterior à data do evento. Embora não haja garantias de que isso sempre vá ocorrer, o mercado tende a precificar o fato que a taxa de crescimento do número de moedas vai cair pela metade.

Além disso, a mineração custa caro. A atividade se tornou tão complexa que existem “fazendas” de mineração em regiões em que o custo da energia é mais baixo, com máquinas poderosas e sistemas de refrigeração.

É claro que o minerador calcula que a recompensa que ele recebe cobre esse custo e ainda dá lucro. No entanto, se ele vai receber metade das moedas que recebia antes, essa conta pode simplesmente não fechar mais e ele decidir parar a atividade.

Isso seria perfeitamente possível se a moeda passasse por outra crise e sofresse uma grande desvalorização na época do halving. Em julho de 2019, a cotação do Bitcoin estava próxima dos US$ 11 mil. É menos que o pico atingido em 2017, quando chegou a valer US$ 20 mil, mas bem mais do que a mínima de US$ 3,5 mil registrada um ano depois.

Assim, atualmente um minerador ganha o equivalente a US$ 132.000 por bloco minerado e seu lucro depende essencialmente da variação da moeda. O último bloco, que será minerado em 2140, terá uma recompensa de 1 satoshi, que equivale a 0,00000001 BTC. Pela cotação atual, seria o equivalente a US$ 0,00011 dólar. Não parece muito atraente, não é?

Por outro lado, a lógica do mercado diz que, reduzida a oferta e mantida a demanda, o preço tende a se elevar. Foi justamente isso que aconteceu nos dois halvings que já ocorreram.

Segundo dados do Guia do Bitcoin, um ano antes do primeiro halving, em 2012, o Bitcoin valia US$ 2,55, enquanto um ano depois estava cotado a US$ 1.037. O mesmo ocorreu no segundo halving. Um ano antes, a cotação era de US$ 268, enquanto um ano depois bateu em US$ 2.525.

Vale lembrar, porém, que uma projeção do comportamento da cotação baseada em análise histórica não é tão confiável no caso do Bitcoin, que é um ativo recente e só houve dois eventos para analisar.

Assim, as estimativas são díspares. Enquanto alguns analistas falam em uma alta expressiva da moeda, como efeito da redução da inflação gerada pelo próximo halving, outros argumentam que esse é um evento já conhecido pelo mercado e, por isso, não deve ter grande impacto no preço.

Qual o impacto do halving sobre as demais criptomoedas?

Entre as demais criptomoedas, o Dash reduz a recompensa para os mineradores em 7,14% a cada 210.240 blocos, o que dá, em média, 383,25 dias. Tem, portanto, uma dinâmica diferente e, com prazo mais curto, a pressão do evento da redução é mais constante.

Já o Litecoin tem um sistema igual ao do Bitcoin e o próximo halving deve ocorrer em agosto de 2019. Em 7 de agosto de 2018, a moeda estava cotada a US$ 67,31. Em menos de um ano, a cotação subiu para US$ 91,31 (dados de 18 de julho de 2019), uma valorização de 35,7%.

Não dá para saber exatamente qual foi o peso do halving nessa alta, mas a verdade é que, assim como ocorreu com o Bitcoin, a moeda se valorizou no ano anterior ao evento.

Quais as consequências do halving de Bitcoin para os diferentes públicos?

Se você é um investidor “normal”, que usa Bitcoin no dia a dia, fazendo transações ou enviando dinheiro pelo mundo, o halving não deve ter nenhum tipo de consequência e será possível continuar usando suas criptomoedas normalmente.

Para um especulador, ou seja, a pessoa que compra e vende moedas para obter ganhos de capital, a situação é diferente. Como mencionamos acima, ainda não existe um histórico suficiente que permita projetar com alto grau de confiança o que acontece em um evento como esse.

Por fim, em relação aos halvings anteriores, não houve nenhuma redução na mineração de Bitcoins e não há indicação de que ela deva ocorrer agora se o mercado de criptomoedas se mantiver aquecido e com um preço elevado.

Agora você já sabe como funciona o halving de Bitcoin e pode se preparar para acompanhar o próximo evento, previsto para 2020. Ficou interessado e quer saber mais sobre o assunto? Aproveite para conhecer os 7 mitos sobre o Bitcoin!