A história do Bitcoin pode ser curta, mas é cheia de detalhes interessantes e relevantes para quem investe ou quer investir na moeda. Um deles é conhecido como “halving de Bitcoin”, que significa, em uma tradução livre, “cortar o Bitcoin pela metade”. Mas o que isso significa na prática? 

Neste post, vamos explicar melhor como funciona a mineração de Bitcoins, o que é o halving, como ele funciona, qual foi o impacto que ele causou no mercado das outras vezes em que ocorreu e quando está previsto para acontecer de novo. Confira!

O que é halving e por que ele acontece

Para entender o que é o halving no contexto dos Bitcoins, precisamos voltar alguns passos e compreender como essa criptomoeda surge. 

O Bitcoin é emitido por um processo chamado mineração. Nesse processo, várias pessoas usam o poder de processamento dos seus computadores para resolver um problema matemático que vai validar as transações da rede Bitcoin. 

Esse processo custa caro, já que consome uma enorme quantidade de energia, além de demandar uma máquina com uma capacidade de processamento bem acima da média. Sendo assim, só existe vantagem nessa atividade porque cada um dos mineradores é recompensado com uma quantidade determinada de Bitcoins ou Satoshis (fragmentos de Bitcoin). 

No entanto, por ser uma moeda cuja criação é limitada a 21 milhões de unidades, estima-se que todos os Bitcoins já terão sido emitidos em 2140. Assim, diferentemente do que acontece com o Dólar, o Real, o Euro e as demais moedas fiduciárias, essa criptomoeda tem a sua oferta limitada e conhecida – o que varia é apenas a demanda. 

Para respeitar essa limitação criada para controlar a inflação desse ativo, seu sistema prevê que o número de BTCs obtidos por bloco deve ser reduzido pela metade a cada 210 mil blocos minerados,  ou seja, sempre que essa marca é atingida, acontece o “halving” da moeda. Então, se os mineradores recebiam 50 Bitcoins inicialmente por bloco minerado, após o primeiro halving, eles passaram a receber 25 e assim por diante. 

Bitcoin: halving acontece com que frequência?

O primeiro halving do Bitcoin aconteceu em 2012, quando a recompensa caiu de 50 para 25 Bitcoins por bloco minerado, e o segundo ocorreu em 2016, quando passou a ser de 12,5 Bitcoins. O terceiro e mais recente halving aconteceu em 2020, resultando na queda da recompensa para 6,25 Bitcoins por bloco. O próximo halving será o quarto e está previsto para acontecer apenas em 2024.

Como cada bloco de Bitcoin deve ser minerado a cada dez minutos, de forma que ele seja integrado à blockchain e o minerador receba sua recompensa, é possível estimar que o halving deve acontecer a cada quatro anos. No entanto, essa previsão considera um cenário em que blocos são minerados a cada dez minutos, sem interrupções. Caso, eventualmente, a mineração se torne um evento mais raro, levará mais tempo para o halving acontecer. 

Quais são os impactos do halving do Bitcoin?

O halving do Bitcoin, especificamente, costuma causar quatro grandes impactos: o aumento da demanda de Bitcoins, uma possível alta no valor de mercado dessa moeda, mudanças na cotação de outras moedas e, por fim, tornar a mineração de Bitcoins menos atraente. Abaixo, falamos em detalhes sobre cada um deles. 

1. Aumento da demanda de Bitcoins

Como o halving traz mais visibilidade para os Bitcoins e coloca ele em destaque nas notícias, é natural que aconteça o aumento da demanda. Esse aumento da demanda já é tido como um dos principais fatores para o aumento do valor de cotação dessa criptomoeda e, naturalmente, é uma das causas do tópico seguinte. 

2. Provável alta no valor de mercado 

A lógica do mercado diz que, reduzida a oferta e mantida a demanda, o preço tende a se elevar. Foi justamente isso que aconteceu nos três halvings que já ocorreram. 

Nessas ocasiões,  a cotação do Bitcoin subiu no ano posterior à data do evento. Embora não existam garantias de que isso sempre vá ocorrer, o mercado tende a precificar o fato de que a taxa de crescimento do número de moedas vai cair pela metade.

Segundo dados da Morningstar for Currency and Coinbase for Cryptocurrency, um ano antes do primeiro halving, em 2012, o Bitcoin valia cerca de US$ 2,55, enquanto um ano depois estava cotado a US$ 1.037. O mesmo ocorreu no segundo e terceiro halvings. Um ano antes do segundo, a cotação era de cerca de US$ 268, enquanto um ano depois atingiu os US$ 2.525. Por fim, um ano antes do terceiro halving, a cotação do Bitcoin estava por volta dos US$ 7.223 e, um ano após o evento, ela chegou a US$ 58.958. 

Apesar desses cenários, as estimativas são inconsistentes. Enquanto alguns analistas falam em uma alta expressiva da moeda, outros argumentam que esse é um evento já conhecido pelo mercado e, por isso, não deve ter grande impacto no preço. Porém, levando como exemplo os últimos três halvings, acreditar que a alta no valor de cotação é quase garantida não é algo tão absurdo assim. No entanto, vale manter em mente que o Bitcoin é um ativo extremamente volátil e que, por mais que uma previsão pareça óbvia, nada é garantido. 

3. Impactos nas demais criptomoedas

Enquanto a demanda por Bitcoins aumenta ao longo dos primeiros meses que antecedem o halving, devido à expectativa de valorização, a busca por outras criptomoedas costuma passar por uma diminuição considerável. 

Por outro lado, após o aumento do valor da cotação do Bitcoin, que tende a acontecer em até 12 meses após o halving, a aquisição de altcoins acaba sendo mais atraente para quem está iniciando no universo das criptomoedas e não tem dinheiro suficiente para adquirir uma quantidade considerável de Satoshis. 

Em qualquer cenário, mesmo que os próximos halvings dos Bitcoins não impulsionem o valor de mercado como fizeram anteriormente, esse evento trará, sim, impactos para a compra e venda de altcoins. 

4. A mineração pode se tornar menos atraente

Por natureza, a mineração custa caro. A atividade se tornou tão complexa que existem “fazendas” de mineração em regiões em que o custo da energia é mais baixo, com máquinas poderosas e sistemas de refrigeração para garantir o bom funcionamento delas. Por isso, caso a alta esperada não aconteça, a mineração pode, sim, se tornar menos atraente. 

É claro que o minerador calcula se a recompensa que ele receberá cobrirá esse custo e ainda dará lucro. No entanto, se após o halving ele vai receber metade das moedas que recebia antes, essa conta pode simplesmente não fechar mais e ele decidir parar a atividade.

Isso seria perfeitamente possível se a moeda passasse por outra crise e sofresse uma grande desvalorização na época do halving. Em julho de 2019, a cotação do Bitcoin estava próxima dos US$ 11 mil. É menos que o pico atingido em 2017, quando chegou a valer US$ 20 mil, mas bem mais do que a mínima de US$ 3,5 mil, registrada um ano depois.

Além disso, mesmo que o valor da cotação se mantenha até o último halving previsto para o Bitcoin, a queda no interesse da mineração tende a ser iminente. Atualmente, um minerador ganha aproximadamente US$ 362.000 por bloco minerado, e seu lucro depende essencialmente da variação da moeda. O último bloco, que será minerado em 2140, terá uma recompensa de 1 satoshi, que equivale a 0,00000001 BTC. Pela cotação atual, seria o equivalente a US$ 0,00011. Não parece muito atraente, não é?

Porém, quando observamos os halvings anteriores, não houve nenhuma redução na mineração de Bitcoins e não há indicação de que ela deva ocorrer agora se o mercado de criptomoedas se mantiver aquecido e com um preço elevado.

Outras criptomoedas têm halving?

Sim, outras criptomoedas do mercado têm o halving como parte da forma que elas operam. Afinal, assim como o Bitcoin, diversas altcoins têm uma quantidade limitada de frações a serem emitidas, tornando necessário que o halving aconteça. No entanto, os pré-requisitos para que ele aconteça são diferentes em cada caso. 

O Dash (DASH), por exemplo, reduz a recompensa para os mineradores em 7,14% a cada 210.240 blocos, o que dá, em média, 383,25 dias. Tem, portanto, uma dinâmica diferente, e, com esse prazo mais curto, a pressão do evento da redução é mais constante. Diversos especialistas até afirmam que já não faz mais sentido minerar essa criptomoeda.

Já o Litecoin tem um sistema similar ao do Bitcoin e seu último halving aconteceu em agosto de 2019. Em 7 de agosto de 2018, a moeda estava cotada a US$ 67,31. Em menos de um ano, a cotação subiu para US$ 91,31 (dados de 18 de julho de 2019), uma valorização de 35,7%. Não dá para saber exatamente qual foi o peso do halving nessa alta, mas a verdade é que, assim como ocorreu com o Bitcoin, a moeda se valorizou no ano anterior ao evento.

Outro exemplo é o Ethereum, que tem um processo de mineração em um ritmo completamente diferente do Bitcoin: blocos podem ser minerados a cada 12 segundos e dão como recompensa o valor de três Ethereos por vez. Além disso, apesar dessa moeda passar por halvings, eles não são tão claros, sendo determinados conforme são feitas mudanças no protocolo para controlar os níveis de emissão dessa moeda e, consequentemente, moldar a sua inflação. 

Tendo essas possibilidades em mente, é válido considerar a possibilidade de halving sempre que você for investir em uma altcoin, independentemente de qual for. Apesar desse evento não ter impactos claros, ainda é válido considerá-lo como um acontecimento que gerará oscilações no valor de mercado da criptomoeda que você adquirir e que merece a sua atenção e estudo. 

Com tudo o que falamos, como o halving pode te afetar?

Se você for um investidor “normal”, que usa Bitcoin no dia a dia, fazendo transações ou enviando dinheiro pelo mundo, o halving não deve ter nenhum tipo de consequência imediata e será possível continuar usando essa criptomoeda normalmente. A única mudança que você sentirá será no valor de mercado dela. 

Para um especulador, ou seja, a pessoa que compra e vende moedas para obter ganhos de capital, a situação é diferente. Como mencionamos acima, ainda não existe um histórico suficiente que permita projetar com alto grau de confiança o que acontece em um evento como esse. Os ganhos podem ser muitos, mas também não é possível descartar um cenário de desvalorização intensa. 

Já se você trabalha com a mineração de Bitcoins o cenário tende a se tornar cada vez mais desfavorável, especialmente se nos próximos halvings essa criptomoeda não sofrer uma valorização considerável, que torne lucrativo seguir minerando, mesmo recebendo tão poucas unidades por bloco. 

Agora que você já sabe como funciona o halving para Bitcoin, que tal ir ainda mais fundo no universo dessa e de outras criptomoedas? Aqui, no blog da BitcoinTrade, disponibilizamos diversas informações úteis para você começar a comprá-las ou dar um passo adiante em seus investimentos. Navegue pelas categorias no menu acima e confira os conteúdos disponíveis! 

Redator | BitcoinTrade

Breno tem mais de 12 anos de experiência com Marketing Digital. Já passou por grandes varejistas tradicionais e em 2017 se apaixonou pelas criptomoedas. Hoje é responsável pelas estratégias de comunicação e aquisição de novos clientes na BitcoinTrade.