As particularidades do Bitcoin surpreendem a cada dia, em especial conforme aumentam os interessados em investir nessa que é considerada a criptomoeda mais famosa já lançada. Uma das características mais notáveis é a existência do halving de Bitcoin. Já ouviu falar desse processo de ajuste da moeda?

Em tradução livre, o halving nada mais é que um corte nas fatias do Bitcoin, que tendem a diminuir pela metade sempre que acontece. Para entender esse processo, entretanto, é preciso voltar um pouco à história e compreender o funcionamento da cripto desde o início.

Em dúvida sobre o que é halving e por que ele acontece? Neste post, explicamos a fundo como funciona a mineração de Bitcoins, qual o impacto do halving no preço da moeda e como ele influencia a própria inflação no mercado cripto. Confira!

O que é o halving do Bitcoin?

Para compreender como funciona o halving do Bitcoin, é preciso entender um contexto geral do funcionamento dessa moeda. Como você provavelmente já sabe, o Bitcoin é emitido por um processo chamado de mineração. A técnica consiste em um processamento de massa feito por meio de máquinas poderosas, que devem se utilizar de problemas matemáticos para validar as transações da rede Bitcoin. 

A mineração de Bitcoins custa caro, já que tende a consumir uma parcela considerável de energia para validar o processo, além de demandar uma máquina com uma capacidade de processamento bem acima da média. Sendo assim, só existe vantagem nessa atividade porque cada um dos mineradores é recompensado com uma quantidade determinada de Bitcoins ou Satoshis (fragmentos de Bitcoin). 

No entanto, por ser uma moeda cuja criação é limitada a 21 milhões de unidades, estima-se que todos os Bitcoins já terão sido emitidos até 2140. Assim, diferentemente do que acontece com o dólar, o real, o euro e as demais moedas fiduciárias, essa criptomoeda tem a sua oferta limitada e conhecida – o que varia é apenas a demanda. 

E onde entra o halving nessa história? Para respeitar a limitação criada para controlar a inflação desse ativo, seu sistema prevê que o número de BTCs obtidos por bloco deve ser reduzido pela metade a cada 210 mil blocos minerados – ou seja, sempre que essa marca é atingida, acontece o “halving” da moeda. 

Para entender na prática, um exemplo: se os mineradores recebiam 50 Bitcoins inicialmente por bloco minerado, após o primeiro halving, eles passam a receber 25, e assim por diante. 

Linha do tempo dos halvings de Bitcoin

O primeiro halving do Bitcoin aconteceu em 2012, quando a recompensa caiu de 50 para 25 Bitcoins por bloco minerado. Já o segundo ocorreu em 2016, quando passou a ser de 12,5 Bitcoins. O terceiro e mais recente halving aconteceu em 2020, resultando na queda da recompensa para 6,25 Bitcoins por bloco. A previsão para o próximo halving – o quarto – é de que aconteça em 2024. 

Como cada bloco de Bitcoin deve ser minerado a cada dez minutos, de forma que ele seja integrado à Blockchain e o minerador receba sua recompensa, é possível estimar que o halving deve acontecer a cada quatro anos. 

No entanto, essa previsão considera um cenário em que blocos são minerados a cada dez minutos, sem interrupções. Caso, eventualmente, a mineração se torne um evento mais raro, levará mais tempo para o halving acontecer. 

Como o halving influencia no preço do Bitcoin?

Agora que você compreendeu o que é o halving do Bitcoin, deve estar se perguntando como esse procedimento funciona na prática e o que determina o preço da moeda.

Como o halving reduz pela metade a recompensa dos mineradores, ele acaba impactando a emissão de novas criptomoedas. Como funciona na clássica “lei da oferta e da demanda”, a atividade gera uma característica deflacionária nos preços da moeda digital. Dessa forma, fica mais fácil visualizar o porquê do halving afetar diretamente o preço do Bitcoin.

Com menos emissões de tokens por parte dos mineradores, naturalmente o preço tende a se elevar por conta da escassez de novas moedas. Porém, no mercado das criptomoedas, essa não é uma matemática tão clara.

Como o Bitcoin é um ativo recente e imprevisível, não é possível afirmar de maneira 100% exata se as ações sobre ele determinam uma queda ou alta dos preços. Entretanto, como o halving já ocorreu três vezes e teve um impacto parecido – com os preços se elevando conforme a diminuição da quantidade de blocos –, é provável que as ações formem um padrão de comportamento com o tempo.

Como funciona a inflação do Bitcoin?

O termo “inflação” é um velho conhecido dos brasileiros, afinal, já passamos por grandes eventos que culminaram na alta ou baixa desse índice para os preços no país. A inflação ocorre sempre que há um aumento da oferta de dinheiro em circulação. No caso do Bitcoin, o processo de halving gera um efeito contrário.

Com o último halving ocorrido em 2020, a cripto passou a ser dividida por uma taxa de 6,25 Bitcoins por bloco, culminando em até 328.500 moedas geradas por ano. Quando comparada com o total de tokens em circulação – cerca de 18,83 milhões –, é possível determinar uma taxa de inflação de 1,74%.

Como é possível observar, mesmo com a diminuição dos ativos disponíveis, o Bitcoin se manteve estável após o halving. Ainda assim, o halving gerou um aumento dos preços da moeda. Se a tendência permanecer para os próximos anos, acredita-se que, com a redução cada vez maior de blocos, o preço tende a crescer exponencialmente. Dessa forma, a criptomoeda mais famosa do mundo deve se valorizar ainda mais.

Quais são os impactos do halving do Bitcoin?

Mas não é só no preço que o halving tende a impactar quando ocorre. Agora que você já compreende de forma geral como esse processo tende a incidir sobre a moeda, vamos fazer uma recapitulação e abordar outras frentes às quais ele influencia. 

O halving do Bitcoin, especificamente, costuma causar quatro grandes impactos: o aumento da demanda de Bitcoins, uma possível alta no valor de mercado dessa moeda, mudanças na cotação de outras moedas e, por fim, menos atratividade para a mineração de Bitcoins. 

Aumento da demanda de Bitcoins

Como o halving traz mais visibilidade para os Bitcoins e o coloca em destaque nas notícias, é natural que aconteça um aumento da demanda. Esse aumento na procura por novas moedas já é tido como um dos principais fatores para o também aumento do valor de cotação da cripto. Saiba como comprar Bitcoins

Provável alta no valor de mercado 

A lógica do mercado diz que, reduzida a oferta e mantida a demanda, o preço tende a se elevar. Foi justamente isso que aconteceu nos três halvings já ocorridos de Bitcoin; nessas ocasiões, a cotação da cripto subiu no ano posterior à data do evento. 

Embora não existam garantias de que isso sempre irá ocorrer, o mercado tende a precificar o fato de que a taxa de crescimento do número de moedas tende a cair pela metade. Segundo dados da Morningstar for Currency and Coinbase for Cryptocurrency, um ano antes do primeiro halving, em 2012, o Bitcoin valia cerca de US$ 2,55, enquanto um ano depois estava cotado a US$ 1.037. 

O mesmo ocorreu no segundo e terceiro halvings. Um ano antes do segundo, a cotação era de cerca de US$ 268, enquanto um ano depois atingiu os US$ 2.525. Por fim, um ano antes do terceiro halving, a cotação do Bitcoin estava por volta dos US$ 7.223 e, um ano após o evento, ela chegou a US$ 58.958. 

Apesar desses cenários, as estimativas são inconsistentes. Enquanto alguns analistas sugerem uma alta expressiva da moeda, outros argumentam que esse é um evento já conhecido pelo mercado e, por isso, não deve ter grande impacto no preço. 

Porém, levando como exemplo os últimos três halvings, acreditar que a alta no valor de cotação é quase garantida não é algo tão absurdo assim. No entanto, vale ter em mente que o Bitcoin é um ativo extremamente volátil e que, por mais que uma previsão pareça óbvia, nada é garantido. 

Impactos nas demais criptomoedas

Enquanto a demanda por Bitcoins aumenta ao longo dos primeiros meses que antecedem o halving – devido à expectativa de valorização –, a busca por outras criptomoedas costuma passar por uma diminuição considerável. 

Por outro lado, após o aumento do valor da cotação do Bitcoin, que tende a acontecer em até 12 meses após o halving, a aquisição de altcoins acaba sendo mais atraente para quem está iniciando no universo das criptomoedas e não tem dinheiro suficiente para adquirir uma quantidade considerável de Satoshis. 

Em qualquer cenário, mesmo que os próximos halvings dos Bitcoins não impulsionem o valor de mercado como fizeram anteriormente, esse evento trará, sim, impactos para a compra e venda de altcoins. 

A mineração pode se tornar menos atraente

Por natureza, a mineração custa caro. A atividade se tornou tão complexa que existem “fazendas” de mineração em regiões onde o custo da energia é mais baixo, com máquinas poderosas e sistemas de refrigeração que garantem um melhor funcionamento. Por isso, caso a alta esperada não aconteça, a mineração pode, sim, se tornar menos atrativa.

É natural que o minerador calcule de forma antecipada se a recompensa que tende a receber cobrirá esse custo e ainda dará lucro, no entanto, se após o halving ele receber metade das moedas que recebia antes, a conta pode simplesmente não fechar. Dessa forma, ele pode optar por encerrar a atividade.

Essa debandada é perfeitamente possível caso haja impasses ou crises sobre a mineração de novas moedas. Em julho de 2019, por exemplo, a cotação do Bitcoin estava próxima dos US$ 11 mil – menos que o pico atingido em 2017, quando chegou a valer US$ 20 mil. Porém, bem mais do que a mínima de US$ 3,5 mil, registrada um ano depois.

Além disso, mesmo que o valor da cotação se mantenha até o último halving previsto para o Bitcoin, a queda no interesse da mineração tende a ser iminente. 

O último bloco, que será minerado em 2140, terá uma recompensa de 1 satoshi (hoje equivale a 0,00000001 BTC). Pela cotação atual, seria o equivalente a US$ 0,00011. Não parece muito atraente, não é? Porém, quando observamos os halvings anteriores, não houve nenhuma redução na mineração de Bitcoins e não há indicação de que ela deva ocorrer agora se o mercado de criptomoedas se mantiver aquecido e com um preço elevado.

Outras criptomoedas passam por halving?

Sim, outras criptomoedas do mercado têm o halving como parte da forma que elas operam. Afinal, assim como o Bitcoin, diversas altcoins têm uma quantidade limitada de frações a serem emitidas, tornando necessário que o halving aconteça. No entanto, os pré-requisitos para que ele aconteça são diferentes em cada caso. 

O Dash (DASH), por exemplo, reduz a recompensa para os mineradores em 7,14% a cada 210.240 blocos, o que dá, em média, 383,25 dias. Tem, portanto, uma dinâmica diferente, e, com esse prazo mais curto, a pressão do evento da redução é mais constante. Diversos especialistas afirmam que já não faz mais sentido minerar essa criptomoeda.

Já o Litecoin tem um sistema similar ao do Bitcoin, e seu último halving aconteceu em agosto de 2019. Em 7 de agosto de 2018, a moeda estava cotada a US$ 67,31, e em menos de um ano, a cotação subiu para US$ 91,31 (dados de 18 de julho de 2019) – uma valorização de 35,7%. Não dá para saber exatamente qual foi o peso do halving nessa alta, mas a verdade é que, assim como ocorreu com o Bitcoin, a moeda se valorizou no ano anterior ao evento.

Outro exemplo é o Ethereum, que tem um processo de mineração em um ritmo completamente diferente do Bitcoin: blocos podem ser minerados a cada 12 segundos e dão como recompensa o valor de três Ethereos por vez. Além disso, apesar de a moeda passar por halvings, eles não são tão claros, sendo determinados conforme são feitas mudanças no protocolo para controlar os níveis de emissão dessa moeda e, consequentemente, moldar a sua inflação. 

Como o halving pode afetar os investimentos?

É válido considerar a possibilidade de halving em mente sempre que você for investir em criptomoedas. Apesar de o evento não gerar impactos claros, ainda é válido considerá-lo como um acontecimento que culmina em oscilações no valor de mercado de todas as criptomoedas que você tem por interesse adquirir.

Se você for um investidor “normal”, que se utiliza do Bitcoin no dia a dia, fazendo transações ou enviando dinheiro pelo mundo, o halving não deve ter nenhum tipo de consequência imediata e será possível continuar usando essa criptomoeda normalmente. A única mudança que você sentirá será no valor de mercado.

Para um especulador, ou seja, a pessoa que compra e vende moedas para obter ganhos de capital, a situação é diferente. Como mencionamos acima, ainda não existe um histórico suficiente que permita projetar com alto grau de confiança o que acontece em um evento como esse. Os ganhos podem ser muitos, mas também não é possível descartar um cenário de desvalorização intensa. 

Já se você trabalha com a mineração de Bitcoins, o cenário tende a se tornar cada vez mais desfavorável, especialmente se nos próximos halvings a criptomoeda não sofrer uma valorização considerável e que torne lucrativo seguir minerando.

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