Dentro do universo das criptomoedas, é normal nos depararmos com várias expressões que podem deixar confuso quem ainda está se iniciando no tema. Uma dessas dúvidas é sobre o que é fork e como ele pode impactar as carteiras de Bitcoins.

A palavra fork vem do inglês e significa bifurcação. Essa tradução é uma ótima explicação para o que acontece com as criptomoedas quando elas passam por processos de soft fork ou hard fork. Ainda está confuso e quer entender melhor? Então, continue a leitura!

Relação entre o que é fork, Bitcoin e Blockchain

Antes de explicarmos o que é fork, precisamos recapitular alguns conceitos, de modo que fique mais simples entender o que são esses processos de soft e hard fork..

Como você já deve saber, para funcionar adequadamente o Bitcoin conta com uma inovação importante: a blockchain. De uma maneira bem simplificada, podemos entendê-la como um registro das transações de forma distribuída, em que cada participante (nó) executa um algoritmo de consenso.

O consenso existe apenas quando um acordo que beneficia a todos os participantes da rede é feito. Ele precisa ser feito de maneira colaborativa e inclusiva.

Na rede Bitcoin, cada nó conta com uma cópia atualizada do registro e, para serem adicionadas novas transações, elas são agrupadas em blocos. O consenso é atingido por meio da prova de trabalho – que é um cálculo matemático complexo realizado pelos mineradores e que permite a criação de um novo bloco.

Quando esse novo bloco é criado, são os nós que fazem a verificação dele. Caso haja um consenso entre os integrantes do bloco, ele é considerado válido e os mineradores passam a trabalhar na criação de um bloco novo.

O que é fork?

Para saber o que é fork, é preciso entender a mineração de criptomoedas. O fork (bifurcação) acontece quando não há um consenso entre os nós da rede. Assim, a divergência provocará uma bifurcação na cadeia de blocos, e os usuários podem decidir qual cadeia continuarão seguindo.

Existem basicamente dois tipos de fork: o soft fork e o hard fork, sendo que o primeiro é bem comum e acontece com certa regularidade. Ele pode ocorrer quando, por exemplo, dois mineradores encontram um bloco quase que de forma simultânea.

Se os dois blocos forem adicionados à cadeia, passará a ser válido aquele que for mais longo, sendo que o menor será abandonado pela rede.

Soft Fork

O soft fork pode ser entendido como uma alteração compatível com versões anteriores do software e que preserva o protocolo original, com apenas algumas mudanças. Em geral, esse é um tipo de fork que não traz problemas para a validação dos blocos, já que a rede continua funcionando mesmo que alguns nós não atualizem o software.

Para que um soft fork ocorra é preciso uma aprovação mínima de 95% da rede (ou seja, dos mineradores).

Ao longo da sua história, a blockchain do Bitcoin já usou vários soft forks para resolução de pequenos problemas ou para melhorar suas funcionalidades.

Ainda está difícil compreender o que é fork e soft fork? Pense em um sistema operacional de computador, como o Windows. Enquanto você utiliza a sua versão, o próprio computador fará alguns downloads para atualizar o sistema e melhorar seu funcionamento, sem que você perceba isso ou que o sistema pare de funcionar.

Hard Fork

Entender o que é fork é importante pois ele pode ser o início de novas criptomoedas.

Já o hard fork, como o próprio nome sugere, é uma medida mais drástica. Em geral, ele acontece quando uma nova regra é introduzida na rede, sendo ela incompatível com o software antigo.

Assim, seguindo o exemplo anterior, podemos entender o hard fork como uma nova versão do sistema operacional. É como se você estivesse usando o Windows 7 no seu computador e a Microsoft lançasse uma versão nova, o Windows 8.

Se os nós na rede Bitcoin continuarem executando a versão antiga do software, passarão a interpretar as novas transações como inválidas, por isso, a mineração se tornará inviável. Nesse caso, é imperativo que os mineradores que desejam continuar minerando blocos válidos e sendo recompensados com Bitcoin atualizem o protocolo e passem a respeitar as novas regras.

Para entender o que é fork nesse caso, vamos fazer uma analogia: é como se você quisesse comprar um novo computador, mas desejasse manter o Windows antigo. Muitas das novas configurações e programas passariam a não funcionar adequadamente. E, assim, você teria que instalar a nova versão do sistema operacional para continuar trabalhando de forma adequada.

E quando há impasses em relação ao fork?

Contudo, nem sempre há uma decisão unânime quanto o que é fork de um tipo mais simples e o que é um hard fork. Se parte da comunidade discordar da atualização, um impasse surgirá.

Lembre-se que nós explicamos no primeiro tópico que a rede só funciona quando há um consenso, assim, não é possível obrigar um participante a seguir determinada regra. Nesse caso parte da comunidade atualiza o protocolo e outra parte continua a trabalhar com o antigo.

Nessa situação, há uma divisão da rede e as duas comunidades passam a não dialogarem mais entre si, pois não há mais compatibilidade entre os protocolos. É quando surgem novas criptomoedas baseadas em protocolos mais avançados do Bitcoin ou de outra altcoin.

Os diferentes tipos de Bitcoin que existem surgiram a partir de processos de hard fork. Fonte: InfoMoney.

Bitcoin Cash

Um caso famoso de hard fork foi o Bitcoin Cash. Na época, vários desenvolvedores e participantes da rede discordavam em relação ao tamanho limite de 1MB do bloco na rede Bitcoin e, sugeriram, aumentá-lo para 8 MB.

A decisão não gerou consenso e então, aqueles bloco que passaram a seguir a atualização, de 8MB, passaram a ser chamado de Bitcoin Cash, diferenciando-se do protocolo original. 

Bitcoin Gold

O Bitcoin Gold é outra criptomoeda que nasceu após um hard fork da rede Bitcoin. Nessa situação, a mudança foi ainda mais brusca do que a do Bitcoin Cash, pois houve a alteração quase que completa do algoritmo.

A alteração foi realizada em relação ao processo de mineração. Os criadores do Bitcoin Gold perceberam que a mineração de Bitcoin estava muito concentrada nos pools e nas exchanges, então, eles desenvolveram um processo diferente. É por isso que o Bitcoin Gold é o mais indicado para quem deseja começar a minerar – e a tendência é que nos próximos anos essa moeda se valorize ainda mais.

Bitcoin Diamond

Como você viu, entender o que é fork possibilita entender o surgimento de diversas variações do Bitcoin. O Bitcoin Diamond, por exemplo, foi a última criptomoeda que nasceu a partir de um hard fork de Bitcoin. 

A queixa inicial foi a mesma do Bitcoin Cash: mineradores estavam insatisfeitos com os tamanhos dos blocos do Bitcoin, o que reduz a possibilidade de armazenamento de dados e influencia na velocidade de transação. Assim, nasceu o Bitcoin Diamond, capaz de processar as transações até 5 vezes mais rápido do que o Bitcoin Core (tradicional).

Ethereum

O Ethereum também passou por um importante e grande processo de hard fork.

Mas saber o que é fork não é importante apenas para os que investem em Bitcoin, já que outras criptomoedas também passam pelo processo. O Ethereum, considerado a altcoin com o segundo maior valor de mercado, também passou por um importante hard fork.

Isso aconteceu em 2016, quando a Decentralized Autonomos Organization (DAO) – uma organização descentralizada baseada no Ethereum – foi hackeada e houve o desvio de quase 4 milhões de dólares. Diante do ocorrido, uma parte da comunidade queria reverter o hack, enquanto outra parte discordava dessa ação.

Foi assim que surgiu a Ethereum Classic (que não reverteu o hack, pois acreditava que o código era uma lei) e a Ethereum (que reverteu o hack e devolveu os ethers roubados aos seus donos).

E o que o fork significa para os investidores?

Os soft forks praticamente não alteram em nada a vida dos investidores, já que muitos ocorrem na rede sem que você nem fique sabendo. Contudo, o hard fork pode alterar um pouco a situação.

Por isso, a dica mais valiosa é manter as suas criptomoedas em carteiras virtuais em que você detenha a posse das chaves privadas. Afinal, as novas moedas que são criadas a partir de um hard fork também valem dinheiro.

Quando um hard fork acontecer, caso você não tenha suas moedas em uma carteira virtual, pode ser que a corretora acabe não repassando essas novas criptomoedas para você, já que a plataforma poderá não suportar esse novo código. Por isso, fique atento ao que é fork e se existe a chance dele ocorrer nas criptomoedas em que você investe!

Mas, caso você tenha uma carteira própria, poderá guardar além do Bitcoin ou do Ethereum, as novas criptomoedas nascidas a partir do hard fork – e decidir como deseja negociá-las ou mantê-las até uma valorização. Só tome cuidado, porque não é qualquer carteira que estamos falando, mas sim uma que consiga suportar a nova moeda, caso contrário você também não irá ganhá-la.

Contudo, quando os forks estão prestes a ocorrer, é comum que haja uma movimentação entre os mineradores e toda a base. Então, continuamente, são disseminadas notícias sobre o assunto, permitindo que você se prepare e tome a decisão mais acertada.

Conclusão

Como você viu, não é muito simples explicar o que é fork, afinal esse processo é algo que está relacionado ao funcionamento e às questões técnicas da rede.

No mundo das criptomoedas, um hard fork significa o nascimento de uma nova moeda que pode ter um protocolo semelhante à moeda original ou completamente diferente. Dentro do Bitcoin, são exemplos o Bitcoin Cash, o Bitcoin Gold e o Bitcoin Diamond. E na Ethereum, temos o nascimento da Ethereum Classic.

Entender sobre o que é fork é extremamente importante para todos os envolvidos, tanto mineradores como investidores. Afinal, é possível decidir se você irá ou não adotar essa nova criptomoeda e preparar a sua carteira virtual para recebê-la.

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