Na Bolsa de Valores, o Long e Short já é uma estratégia conhecida e consagrada, ajudando os investidores que desejam auferir lucros por meio da especulação. Mas você sabia que também pode praticar long e short no universo das criptomoedas?

Neste conteúdo, separamos as informações mais importantes para você entender como funciona, quais os riscos e as vantagens do long e short – e dicas para usá-lo nas suas estratégias para Bitcoin. Siga conosco!

O que é long e short?

Long e Short é uma estratégia usada principalmente na Bolsa de Valores. Long significa “comprado” e short “vendido”. Então, o investidor compra um papel que acredita que irá valorizar (long) e, na outra ponta, ele vende um papel que tem uma expectativa de valorização menor (short).

Para quem está começando a praticar long e short, é mais fácil escolher companhias do mesmo setor, como ações de duas siderúrgicas, dois bancos ou duas empresas de varejo.

O objetivo do long e short é equilibrar uma posição, para que ela ofereça a melhor assimetria de retornos. Por exemplo, se as duas ações subirem, é preciso que a comprada suba mais que a vendida. Da mesma forma, se as duas caírem, o investidor precisa que a vendida (short) baixe mais do que a que está sendo comprada (long).

Tipos de Long e Short

Os tipos de long e short variam de acordo com os papéis que você pretende negociar. De forma geral, a indicação é escolher por papéis que tenham algum tipo de relação, pois, assim, eles tenderão a se comportar de maneira mais semelhante no mercado.

Algumas possibilidades são:

·         Intra-setorial: ações de duas empresas que atuam no mesmo segmento de mercado, por exemplo ações do Banco Bradesco e do Banco Itaú;

·         Controlada versus Controladora: algumas empresas de capital aberto são controladas por empresas que também possuem ações na bolsa e os papéis de ambas têm forte correlação. Por exemplo, a operação entre Banco Itaú e Itaúsa;

·         Ação On versus Ação PN: papéis de uma mesma empresa.

Funcionamento

Para começar a fazer long e short, depois de escolher o par de ações, você precisará estabelecer uma média ao longo de um período – o tempo é bastante variável, até mesmo com 12 meses de pregões.

Ao longo do tempo, é preciso acompanhar as oscilações e entender melhor a relação entre as duas ações. Somente após encontrar a média é que o investidor estabelecerá os padrões de qual ação entrará como short e qual entrará como long, e em qual momento pode ocorrer o inverso.

Assim, é fundamental que o investidor aja baseado em seus estudos ou no de profissionais de confiança, sendo capaz de identificar uma tendência que possa ser aproveitada em long e short.

É preciso que o investidor acompanhe o mercado e encontre uma média entre as ações, só depois será possível definir uma melhor oportunidade para aplicar long e short.

 Venda a descoberto

Uma das possibilidades é operar vendido no mercado de ações, ou seja, obter lucro na queda do preço das ações. Isso acontece com a “venda a descoberto”, quando você vende uma ação que não possui.

Nesse caso, você precisará alugar as ações que você deseja realizar a operação vendida. Para alugar, é preciso ter um valor como garantia, relacionado ao valor total a ser alugado somado a uma margem por conta do risco, estipulado pela Bolsa.

Os valores para o aluguel de ações, portanto, podem variar, dependendo de quantas ações há disponíveis para o aluguel, e também da volatilidade e liquidez do ativo. Então, antes de fazer uma venda a descoberto, é fundamental verificar suas margens de capital.

Para realizar uma venda descoberta (short), você terá que alugar o ativo em questão e, antes da data de vencimento do aluguel, fazer a venda. 

Como em todo aluguel, ao final do contrato, você terá que devolver o ativo. Então, terá de comprá-lo de novo para devolvê-lo – se o preço dele tiver caído, você lucrou, se o preço tiver subido, você teve prejuízo, pois teve de recomprá-lo por um preço maior do que vendeu.

Exemplos

Ainda está difícil compreender exatamente como funciona long e short? Vamos dar um exemplo. Suponha que você esteja acompanhando o mercado e tenha detectado uma diferença incomum entre as ações da companhia aérea A e da companhia aérea B – que costumavam caminhar na mesma direção.

Nesse exemplo, as ações da companhia A dispararam e as da companhia B ficaram estagnadas. A tendência é que elas voltem a se “encontrar” na sequência. Então, você poderia comprar ações da companhia A e vender da companhia B ao mesmo tempo.

Assim, você conseguiria obter lucro caso a cotação das duas subissem, desde que as da companhia B subissem mais do que a A, o que apontava a tendência. O resultado também seria positivo para você caso as duas caíssem, desde que as ações da companhia A despencassem mais.

Ainda seria possível ter lucro dobrado caso as ações da companhia B subissem e da companhia A caíssem.

Além de empresas do mesmo ramo, caso você seja um investidor mais experiente, poderia fazer long e short fora do mesmo setor. Vamos supor que exista uma mudança de cenário prevista, como uma queda acentuada nas taxas de juros ou uma alta intensa do dólar.

Ao saber que determinado setor se beneficia da novidade e outro se prejudica, você poderá fazer long em uma estatal e short, por exemplo, em uma empresa de telecomunicações ou outro ramo distinto, mas que poderá ser afetado pela notícia.

Existem três tipos de long e short. A escolha, na verdade, vai depender dos papéis que você deseja negociar.

Quais os riscos e vantagens dessa estratégia?

Assim como toda operação em renda variável, o long e short também tem riscos. Ela é uma modalidade válida quando você deseja aumentar seu repertório e diversificar suas chances de ganho.

Porém, para obter lucro, é fundamental estudar bastante e ter uma estratégia de redução de perdas. Uma orientação, portanto, é sempre usar o stop loss, a ferramenta que limita automaticamente o tamanho de um possível prejuízo.

Entre as vantagens podemos citar: você consegue operar na distorção das cotações, aproveitando tanto a alta quanto a baixa; é uma operação que pode ser realizada mesmo em momentos de indefinição do mercado, pois independe do seu direcionamento, já que o investidor pode aproveitar tanto a alta como a baixa e o crédito do short pode ser usado na compra de outro ativo (a ação comprada pode ser usada como garantia para a Bolsa).

Já os riscos são: a Bolsa exige o depósito de garantias para a realização da operação e se a operação inverter a tendência, você poderá ter que depositar ainda mais garantias e ter prejuízo.

Quais os custos e tributações?

No momento da compra e venda das ações, você terá de desembolsar a taxa de corretagem e também deverá pagar uma comissão de intermediação de 0,25% ao ano (mínimo de R$10) pelo aluguel das ações, além da taxa de BTC, que varia dependendo da ação.

A tributação é a mesma das demais operações com ações, com apuração do lucro nas posições comprada e vendida e alíquotas de 15% para operações normais e de 20% para operações de day trade.

As vendas até o limite de R$ 20 mil no mês têm isenção e os prejuízos podem ser compensados com ganhos líquidos futuros obtidos no mercado à vista ou nos mercados futuros, a termo e de opções. Os prejuízos apurados no day trade apenas podem ser compensados com os ganhos líquidos apurados também em day trade.

As tributações envolvidas na estratégia long e short seguem as mesmas diretrizes para outras operações com ações

Como aplicar long e short para as criptomoedas?

No universo das criptomoedas, também é possível atuar com long e short. Nesse caso, você teria que acompanhar duas criptomoedas, apostando que os preços reverterão para suas tendências históricas.

Por exemplo, vamos supor que você compre Bitcoins e, ao mesmo tempo, venda Ethereum. Nesse caso, a operação de long e short seria bem sucedida, caso:

1.    O Bitcoin suba e o Ethereum caia;

2.    O Bitcoin e o Ethereum subam, mas o Bitcoin suba mais;

3.    O Bitcoin e o Ethereum caiam, mas o Ethereum caia mais.

Em contrapartida, você poderá perder dinheiro caso o Bitcoin caia e o Ethereum suba ou quando nos cenários 2 e 3, a variação de uma criptomoeda para a outra for muito grande.

Como o tamanho da posição das duas criptomoedas é balanceado, se elas subirem ou caírem no mesmo percentual, você perderá apenas os custos operacionais.

Dicas para fazer long e short

O primeiro ponto para fazer long e short no universo das criptomoedas é conferir se a sua corretora permite a realização de operações vendidas (short).

Depois, é claro, você terá de estudar atentamente e entender melhor o conceito de reversão à média e formas de otimizar os parâmetros de negociação, além de conceitos básicos de estatística, como desvio padrão e média.

Acompanhar o mercado também é essencial, para tentar identificar possíveis mudanças e alterações que influenciem no preço das criptomoedas.

Porém, saiba que fazer long e short é arriscado. Pois, mesmo com as análises estatísticas, não é possível prever com exatidão como o mercado se comportará e nem os preços das criptos negociadas.

Uma das grandes dificuldades é acertar o timing da queda dos preços. Isso pode ocorrer amanhã ou somente dentro de alguns meses – depois que você já desfez das suas posições. Por isso, embora a prática de long e short no universo das criptomoedas apresente possibilidade de altos rendimentos, é, também, um investimento arriscado.

De uma forma geral, um long e short só é indicado quando não há uma tendência aparente e a negociação está lateralizando. Nesses casos, você pode abrir um long e short simultaneamente e tirar proveito das flutuações do mercado.

Aplicar estratégia long e short para Bitcoins pode ser muito rentável, mas também arriscada dada a imprevisibilidade e oscilações do mercado.

Long e Short separadamente

Você também poderá realizar apenas ações de long ou de short. No long, você compra as moedas e as vende posteriormente, a um preço superior. E no short, você vende as moedas que possui e as compra mais tarde, a um preço mais baixo.

Então, se você está analisando uma moeda que aponta para uma tendência de alta, pode fazer uma estratégia de long. Porém, se há uma tendência de queda, poderá fazer um short.

Analise também o seu portfólio. Normalmente, o short é realizado com fundos emprestados: você empresta as moedas quando acha que o preço delas cairá, vendendo a um preço mais alto e recompra as moedas a um preço mais baixo, devolvendo as moedas emprestadas, mais a comissão e ainda mantém o lucro.

Por isso, a estratégia de short funciona melhor para quem tem um portfólio com muitas altcoins, mas nenhuma moeda principal (como BTC ou ETH), assim você conseguirá aproveitar as flutuações e manterá seu portfólio.

Conclusão

Como você viu, as estratégias de long e short, tanto na Bolsa como no universo de criptomoedas, são arriscadas e exigem que o investidor tenha um bom conhecimento do mercado, definindo o momento certo e as ações ou criptos em que deseja investir.

Por isso, acompanhar o setor é essencial. Se você gostou deste post, assine a nossa newsletter e receba as atualizações do blog e dicas do universo das criptomoedas diretamente no seu e-mail!

Redator | BitcoinTrade

Breno tem mais de 12 anos de experiência com Marketing Digital. Já passou por grandes varejistas tradicionais e em 2017 se apaixonou pelas criptomoedas. Hoje é responsável pelas estratégias de comunicação e aquisição de novos clientes na BitcoinTrade.