É muito comum vermos a mídia e até o presidente Trump medindo o desempenho da economia através dos índices de ações. No Brasil, o Ibovespa reina absoluto, criado em 1967, originalmente mensurava as ações na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

Nos EUA, o índice mais utilizado é o S&P500, criado pela agência classificadora de risco Standard & Poor em 1957, agregando as 500 maiores empresas listadas na New York Stock Exchange (NYSE) e NASDAQ.

Tais índices possuem diferentes metodologias para selecionar as empresas e definir suas participações, mas ainda assim, fica a dúvida de quão representativo é esta amostra em relação à economia de cada país.

Mais recentemente, o crescimento das empresas de tecnologia trouxe o receio de grande concentração por parte de Microsoft, Google, Facebook e Amazon. Quão próximas estariam elas de dominar estes mercados efetivamente? Como é composto o índice brasileiro?

S&P500, as 500 maiores

O índice norte-americano é balanceado pela capitalização de mercado das empresas listadas. No entanto, deve-se ressaltar que há grandes multinacionais com ações listadas na NYSE e NASDAQ, e para entrar no S&P500 não é uma obrigatório a empresa ter sua matriz nos EUA.

Ao contrário do que se imagina, existe um comitê que vota pelas adições e remoções de empresas no índice, conforme capitalização de mercado, liquidez, domicílio fiscal, situação financeira, entre outros.

Existem outros grandes competidores, dentre eles o Dow Jones Industrial Average (DJI) e Nasdaq 100 (NDEX), porém o S&P500 possui maior notoriedade.

Quem domina o S&P500?

Fonte: investors.com

Ao contrário do que se comenta, as 10 maiores empresas representam apenas 27% da composição do S&P500. O setor de tecnologia, sem dúvidas, tem ganho espaço, especialmente após o desencadeamento do Coronavírus.

Por contar com 500 empresas, dentro de um mercado amplamente disseminado, o índice consegue obter uma alta representatividade da economia norte-americana.

Economia vs S&P500

Ao medirmos pela produção industrial (laranja), notamos que há uma forte correlação entre ambos, no entanto, o S&P500 não acompanhou a aceleração entre 2004 e 2007, por exemplo. Parte pode ser explicado por conta da forte alta nas ações causada na bolha de tecnologia entre 1999 e 2000.

Na ponta oposta, tivemos dados extremamente negativos recentemente, não só na produção industrial, mas também no emprego e comércio/serviços como um todo. No entanto, o S&P retomou violentamente o padrão de alta. Tudo indica que o mercado aposta na rápida recuperação dos principais indicadores econômicos, especialmente neste cenário de juros próximos de zero e aportes por parte dos principais Bancos Centrais.

Composição do Ibovespa

Dados de Dez/2019. Fonte: Moneytimes

Ao contrário do S&P500, o Ibovespa não possui um número fixo de ações. O total deve representar 80% do volume negociado na B3, rankeando as empresas em critérios de negociabilidade. Ou seja, não é um índice baseado na capitalização de mercado.

O setor financeiro lidera de forma absoluta com 36%, seguido por petróleo e gás com 14%. Ao compararmos com o Ranking “Valor 1000”, é possível notar a ausência de muitas das 50 maiores empresas: Cargill, Archer Daniels, Bunge, Fiat, Samsung, Volkswagen, Correios, Amaggi, Honda, Nestlé.

O mercado acionário brasileiro possui uma penetração infinitamente menor que o norte-americano, causando esta distorção.

Economia vs Ibovespa

Produção Industrial ano/ano. Fonte: Investing.com

No Brasil faz mais sentido analisar a performance do Ibovespa em Dólar, buscando eliminar o impacto da inflação de 165% no período. O gráfico acima mostra o desempenho da indústria (laranja). É possível notar que a crise de 2009 causou uma forte correção no índice de ações.

Embora os indicadores econômicos mais recentes também apontem para uma retração extrema, até o momento o Ibovespa encontra-se mais de 80% acima das mínimas da última década. Isto ocorre parcialmente por conta deste descasamento entre a composição do índice de ações e as empresas que compõem a economia do país.

Em linhas gerais é importante perceber que os investidores de ações trabalham com expectativas futuras de crescimento e lucro, portanto não há esta necessidade do índice seguir a situação econômica atual.


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