Alguns dizem que o Bitcoin foi criado como proteção contra a inflação. Por isso, momentos de incerteza política e econômica, incluindo cenários de conflitos armados, são apontados por analistas como fatores de alta nas criptomoedas.

No entanto, se nos atentarmos ao estudo inicial (whitepaper) do Bitcoin, a palavra “inflação” é mencionada apenas uma vez para explicar a redução programada na emissão de moedas.

Desse modo, é incorreto afirmar que as criptomoedas se beneficiam de guerras ou períodos de hiperinflação. Na realidade, o Bitcoin é um sistema paralelo para armazenar e transferir valores digitais.

A demanda pela descentralização surge do descontrole da emissão da moeda fiduciária, os dólares, euros e reais. Ao mesmo tempo, a restrição e confisco impostos pela guerra ressaltam a importância do sistema independente e incensurável do Bitcoin.

Por que a guerra causa inflação?

O governo norte-americano e as principais potências do mundo encontram-se numa situação complicada, em termos financeiros. A dívida dos EUA, por exemplo, superou os 30 trilhões de dólares após o Congresso e Senado aprovarem inúmeros pacotes de assistencialismo para manter a economia aquecida.

O resultado é a alta generalizada nos preços, não só de alimentos e energia, mas de ativos escassos, incluindo ações de empresas e imóveis. A guerra é uma das desculpas para continuar injetando dinheiro nas economias, aumentando assim o descontrole fiscal.

Dessa forma, o fato do Bitcoin e das criptomoedas apresentarem uma emissão limitada torna esses ativos digitais desejáveis. Quem percebeu a perda de poder de compra do dinheiro emitido pelos governos e Bancos Centrais procura no Bitcoin a segurança do mecanismo que limita a emissão da moeda digital.

Bitcoin é uma reserva de valor?

Neste momento, pouco importam opiniões teorias de determinado autor, analista ou economista. O Bitcoin é atualmente o 9º ativo negociado em valor de mercado no mundo, à frente de empresas tradicionais, incluindo Berkshire Hathaway (BRK-A), NVIDIA (NVDA), Facebook (META), e Visa (V).

De fato, a cotação da criptomoeda oscila mais do que ações de empresas estabelecidas, que possuem certa previsibilidade de crescimento e lucro. No entanto, as criptomoedas foram a classe de ativo com maior valorização nos últimos 4 anos.

Para efeito de comparação, as criptomoedas valorizaram 308% entre 2018 e 2022, enquanto o índice de ações S&P500 dos EUA, subiu apenas 78%. Portanto, quem investiu em Bitcoin com foco no longo prazo saiu vitorioso.

Guerra da Rússia e preço do Bitcoin

Após a Rússia invadir o território da vizinha Ucrânia, o restante da comunidade reagiu. Dentre as diversas sanções econômicas estão o banimento de alguns bancos russos ao sistema SWIFT de remessas financeiras internacionais.

Surgiu, então, um rumor de que o país poderia utilizar criptomoedas para driblar as sanções, especialmente na comercialização de petróleo e gás. No entanto, isso jamais se confirmou, embora algumas empresas e pessoas físicas possam ter buscado a proteção contra a censura utilizando criptomoedas.

Na realidade, o país comandado por Putin avançou na utilização do Rublo Russo, em especial nas transações comerciais com a China. De qualquer forma, ficou evidente a importância da descentralização para quem deseja se tornar independente das ações de governos e eventuais barreiras impostas por sistemas que dependem de coordenadores.

O que é especulação em criptomoedas?

Se não é possível calcular um valor justo, determinado pelo potencial de crescimento, distribuição de lucros, e nem mesmo comparar com outra classe de ativos, qual o valor do Bitcoin? Todo investimento em criptomoeda é especulativo?

De forma simples, sim, todo investimento em Bitcoin e criptos é puramente especulativo. No entanto, quando alguém compra ouro ou diamantes, tampouco conta com um rendimento mensal ou previsibilidade de lucros.

Diversas empresas nunca distribuíram dividendos, e, ao contrário, queimam caixa há mais de 4 anos tentando ganhar mercado. Dentre os casos mais conhecidos, podemos citar AirBNB, avaliada em U$ 95 bilhões, Dropbox, Peloton, Pinterest, WeWork e a Uber, que negocia acima de um valor total de U$ 60 bilhões.

Quanto disso é especulação? E quanto aos imóveis e obras de arte? O que dizer das notas de dinheiro impressas por governos sem contrapartida ou lastro? Tudo o que é negociado envolve um grau de especulação. 

Desse modo, Bitcoin e criptomoedas podem sim atuar como Reserva de Valor, mesmo com forte variação nas cotações.