Ao investir em ouro, é comum optar por um fundo ou contratos futuros, pois o custo da transação física é elevado. Além da segurança necessária para o transporte e armazenamento (custódia), existe a necessidade de testes físico-químicos para avaliar a pureza do material.

Engana-se quem acredita ser impossível falsificar ouro em larga escala. Em meados de 2020, uma joalheria chinesa com ações listadas em bolsa de valores aplicou este golpe para conseguir empréstimos de R$15 bilhões.

Como funciona o fundo de investimento em ouro?

Estes fundos de investimento são geridos por empresas com experiência no mercado financeiro, seguindo as mesmas normas locais aplicáveis aos fundos de ações, multimercados e afins. Ou seja, possuem CNPJ próprio, administrador contratado, e mais importante, um custodiante com autorização para tal função.

Cada fundo possui seu próprio regimento, porém são usualmente classificados em fundos que mantêm ouro físico em carteira, enquanto outros focam nos contratos futuros. Desse modo, se livram dos custos e riscos associados à exposição direta ao metal precioso.

Quais os maiores fundos de investimento em ouro?

São quase 120 fundos com mínimo de US$15 milhões, capitaneado pelo ETF, o fundo conversível negociado em bolsa SPDR Gold ($GLD) nos EUA.

Com US$55,8 bilhões, o fundo representa 27,5% dos US$203 bilhões aportados em ouro físico e instrumentos diretamente ligados à sua cotação. Tal fundo foi o primeiro ETF do ouro nos EUA, criado em 2004. Seu principal concorrente, criado no ano seguinte, acumula US$28,1 bilhões em valor de mercado.

Como funcionam os fundos de investimento em Bitcoin?

Cada país possui sua regulação específica, pois criptomoedas, em geral, são considerados ativos digitais não-financeiros. O Brasil foi um dos pioneiros, ao lado do Canadá, a liberar os fundos conversíveis negociados em bolsa (ETF). Nos EUA, essa aprovação ocorreu de forma parcial, em outubro de 2021, com fundos autorizados a comprar somente contratos futuros.

Na prática, a operação desses fundos de investimento em Bitcoin é semelhante aos fundos imobiliários, por exemplo. Não cabe ao administrador realizar a gestão do imóvel, que fica a cargo de uma empresa especializada contratada. No caso do Bitcoin, a segurança da carteira digital com criptomoedas é realizada por um custodiante qualificado.

Quais os maiores fundos de investimento em Bitcoin?

Segundo o último relatório da CoinShares de 5 de novembro, a gestora Grayscale, por trás do Bitcoin Trust ($GBTC), liderava com US$55,7 bilhões. Após a alta do Bitcoin para US$65 mil, este valor ultrapassou os US$60 bilhões.

Em seguida encontram-se os fundos da CoinShares, embora na sua maioria investindo indiretamente através de certificados garantidos por sua filial de Jersey. No total, a gestora possui mais de US$6 bilhões nessas estratégias atreladas à cotação do Bitcoin.

Por que a marca de USD 60 bilhões é relevante? 

Os maiores fundos de investimento em ouro possuem mais de 16 anos de história, enquanto os veículos atrelados ao Bitcoin, vieram 10 anos depois. Ou seja, a tendência mostra que os fundos de criptomoedas devem, em breve, superar os US$203 bilhões atrelados ao metal precioso.

Cabe lembrar que nos três maiores mercados: EUA, Reino Unido, e China, ainda não existe o ETF que investe diretamente em Bitcoin. Esse mercado inexplorado pode gerar uma alta exponencial na cotação da criptomoeda, assim como ocorreu com o ouro no lançamento desses instrumentos em 2004 e 2005.

Quem são os potenciais investidores desses fundos?

Conhecidos como investidores institucionais, essa classe é composta por: empresas, bancos, gestores independentes, fundos de aposentadoria, gestores de grandes fortunas, e seguradoras. 

Em geral, essas entidades realizam investimentos estratégicos, seguindo um estrito regimento interno. De extrema importância, representam 70% do volume financeiro nos mercados tradicionais.

A indústria de fundos no Brasil ultrapassa os R$6 trilhões sob gestão. Este número é extremamente pequeno frente a indústria global, onde os 10 maiores são responsáveis por US$40 trilhões.

Esses fundos vão ser obrigados a comprar Bitcoin? 

Dificilmente, ao menos nos próximos 12 meses. No entanto, de forma voluntária, alguns gestores desses fundos já iniciaram neste mercado. No início de novembro, a gestora especializada em estratégias quantitativas Giant Steps anunciou seu primeiro fundo de investimento em criptomoedas.

Agora é questão de tempo para a adoção institucional entrar em uma espiral de alta, potencializando a alta do Bitcoin.