Bitcoin “desaba” após máxima histórica de USD 58.300 e chega a ceder 26% na última semana do mês. Os investidores procuram uma explicação, embora todos os mercados globais de risco tenham sofrido com a alta no rendimento dos títulos do tesouro dos EUA. Com isso, o ouro cedeu para a mínima de 9 meses, enquanto as ações de tecnologia recuaram 6% na semana.

Congresso dos EUA aprova pacote de USD 1,9 trilhão, elevando a expectativa de inflação. Nem mesmo os aportes milionários da Microstrategy, Tesla e Square foram suficientes para sustentar a forte alta do Bitcoin. Cabe lembrar que a criptomoeda subiu 37,5% em dólar em fevereiro, portanto o ajuste técnico não deve trazer preocupações. Além disso, volumes recordes de negociação nas exchanges sinalizam o despertar do interesse dos investidores institucionais.

ETF finalmente saiu, mas no Canadá

O ETF do Bitcoin, fundo negociado em bolsa que representa uma quantidade BTC em custódia do administrador, sempre foi a principal esperança para a entrada de investidores de varejo. Isso porque este instrumento pode ser comprado através das corretoras tradicionais do mercado acionário.

Diversas tentativas nos últimos 6 anos fracassaram, com o agente regulador norte-americano SEC alegando falta de transparência e risco de manipulação nas cotações. Curiosamente, os bancos já sofreram diversas multas bilionárias pela manipulação de moedas, petróleo, ouro, embora tais ETFs circulassem normalmente.

Em meados de fevereiro, no entanto, a situação mudou após o agente regulador do Canadá aprovar o primeiro ETF. A demanda foi tamanha que em uma semana o fundo já havia ultrapassado a marca de 10.000 BTC em custódia. Ao contrário do Grayscale Bitcoin Trust (GBTC), no caso do ETF o investidor pode “resgatar” sua participação em criptomoedas.

O resultado? Fim do prêmio sobre o valor justo no fundo GBTC, sinalizando que a competição saudável é favorável para o pequeno investidor. De fato, agora os norte-americanos ganham acesso direto ao BTC através de suas corretoras de ações, o que é excelente para o mercado.

Tesla anuncia compra de USD 1,5 bilhão em BTC, surpreendendo o mercado ao seguir a estratégia da MicroStrategy. O movimento deixa claro que o interesse de Elon Musk em criptomoedas é verdadeiro, embora sua paixão por Dogecoin talvez seja apenas um hobby.

Principais criptomoedas, ativos e bolsas mundiais – até 28/fev

Notícias do mundo cripto:

Rakuten: Gigante de e-commerce japonesa com USD 13,5 bilhões de vendas anuais passa a aceitar pagamentos em criptos.

Coinbase: exchange norte-americana solicitou sua abertura de capital na Nasdaq, avaliada em USD 100 bilhões de acordo com as negociações em mercados privados.

Tether: Empresa responsável pela stablecoin com mais de 30 bilhões emitidos pagou uma multa de USD 18,5 milhões para o Depto de Justiça de NYC por operar na região sem licença de banco.

Bitcoin (BTC): CBOE, a bolsa de valores de Chicago, entrou com pedido de registro de ETF junto com a gestora VanEck. Cabe lembrar que a agência reguladora SEC mudou seu presidente em 2021.

Bitcoin (BTC): Site para gerar wallets de papel BitcoinPaperWallet apresenta falha de segurança e usuários perdem mais de 124 BTC.

Ethereum (ETH): Exchange descentralizada (DEX) 1Inch anuncia que irá integrar Binance Chain (BSC) para evitar as altas taxas da Ethereum.

Ethereum (ETH): Taxas de gás para transações na rede ultrapassam os 12 dólares, e a comunidade planeja reduzir a recompensa dos mineradores, embora a mudança enfrente forte oposição no momento.

Bitcoin Cash (BCH): Exchange OKCoin remove listagem de BCH e BSV alegando falsa publicidade, confundindo iniciantes.

Bitcoin Cash (BCH): Hashrate, o poder de mineração, atinge mínima de 1,4 exahashes por segundo, uma queda de 30% em 2021.

Litecoin (LTC): Fundo de investimento Litecoin Trust da Grayscale comprou 80% de todo LTC minerado no mês, atingindo capitalização de USD 244 milhões.

Litecoin (LTC): Dev David Burkett, responsável pela implementação do protocolo MimbleWimble de privacidade, anunciou que irá concluir a implementação da carteira (wallet) dentro de 2 semanas

Ripple (XRP): Parceira MoneyGram, na qual a empresa Ripple havia investido mais de USD 50 milhões, anunciou que parou de utilizar tais serviços por não apresentar vantagem nas remessas internacionais.

Ripple (XRP): XRPL Labs anunciou planos para trazer tokens colecionáveis (NFT) para a rede Ripple.

EOS (EOS): Implementou pacote “PowerUp” para otimizar recursos na rede, reduzindo custos de computação.

EOS (EOS): Plataforma de jogos Womplay na rede EOS atingiu 100 mil endereços criados.

Além das Criptomoedas

Bolsas pelo mundo

Após um fraco leilão do tesouro norte-americano vendendo títulos de dívida, os investidores passaram a se preocupar com a alta da inflação. Com isso, o S&P500 nos EUA devolveu parte dos ganhos acumulados, fechando fevereiro em alta de 2,3%. Enquanto isso, na Inglaterra o FTSE100 encerrou o mês com alta de 1,2%. Já a Alemanha teve seu índice DAX30 subindo 2,6%.

Investidores aproveitaram para vender os ativos que acumulavam alta, buscando a segurança da renda-fixa, embora continue rendendo abaixo da inflação. Nesse cenário, até mesmo o ouro cedeu, testando um suporte de USD 1.700, encerrando o mês em queda de 6,6% em dólar.

Quem se deu bem:

Banco Pan PN (BPAN3): em alta de 47,9% após reportar lucro líquido de R$ 171 milhões;

Embraer ON (EMBR3) subiu 39,1% após informar entrega de 71 jatos no último trimestre do ano;

Braskem PNA (BRKM5) em alta de 29,1% com agência reguladora autorizando fechamento de minas em Alagoas, reduzindo custo operacional.

Quem se deu mal:

Lopes ON (LPSB3) cedeu 23,4% e Helbor ON (HBOR3 -20,2%) com ritmo de vendas mais fraco;

Petrobras PN (PETR4) caiu 19% após Bolsonaro anunciar a troca do CEO;

Via Varejo ON (VVAR3): cedeu 19% após a concorrente Lojas Americanas anunciar plano de incorporação da B2W Submarino.

Volume de exchanges descentralizadas bate recorde

O mês de fevereiro marcou a volta do crescimento nas exchanges descentralizadas (DEX), com um volume total de USD 73 bilhões negociados. 

Cabe lembrar que nestas transações são envolvidos apenas pares cripto-cripto, sem entrada ou saída de moeda fiduciária. UniSwap, na rede Ethereum, segue líder de mercado.

A existência destes mercados é saudável e permite que criptoativos menores sejam listados sem necessidade de intervenção das exchanges tradicionais.

Robinhood adiciona 6 milhões de novos clientes em criptos

A intermediadora de operações de ações e criptos Robinhood, um dos aplicativos de trade mais utilizados nos EUA, anunciou que 6 milhões de novos clientes utilizaram seus serviços de criptos.

De acordo com a informação, o trade médio destes clientes foi de USD 500, um valor expressivo considerando que o público-alvo são os investidores mais jovens.

Cabe lembrar que é este mesmo app que está envolvido na disputa da GameStop (GME), a empresa cujas ações foram catapultadas em mais de 1.000% de alta por investidores de varejo que coordenam o esforço nas redes sociais.


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Redator | BitcoinTrade

Breno tem mais de 12 anos de experiência com Marketing Digital. Já passou por grandes varejistas tradicionais e em 2017 se apaixonou pelas criptomoedas. Hoje é responsável pelas estratégias de comunicação e aquisição de novos clientes na BitcoinTrade.