Entenda o que é sidechain e sua função no mercado de bitcoin

Apesar de ter apenas 10 anos de vida, a tecnologia que permitiu criar o Bitcoin segue evoluindo a passos largos, com os desenvolvedores buscando solucionar os desafios que vão se apresentando.

Questões de escalabilidade, segurança da tecnologia e integração a outras plataformas passaram a demandar novas soluções. Uma das respostas encontradas para lidar com esses fatores foram as sidechains, ou “cadeias laterais”, em uma tradução livre.

Neste artigo, vamos explicar melhor o que é sidechain e qual a importância dela para o funcionamento do mercado. Vamos acompanhar?

Como surgiu o conceito de sidechain?

O primeiro bloco de Bitcoin foi minerado em 03 de janeiro de 2009, por Satoshi Nakamoto, cuja identidade permanece desconhecida até hoje.

Nos anos seguintes foram criadas diversas outras criptomoedas, as chamadas altcoins. A maioria delas surgiu a partir do próprio código-fonte do Bitcoin, alterado para modificar alguns parâmetros e adicionar características.

Alguns dos altcoins são bem conhecidos, e você já pode ter ouvido falar deles, como o Litecoin e o Ethereum. A questão é que o fato de existirem diversas blockchains isoladas fez com que o mercado ficasse fragmentado.

A ideia da sidechain veio como uma forma de resolver essa questão e foi explicitada em um whitepaper publicado em 2014. Ela permite transferir os Bitcoins e outros ativos contábeis entre múltiplas blockchains sem alterá-las e sem pesar sobre a cadeia, evitando a lentidão nas operações.

Como funciona a blockchain?

Antes de falarmos sobre as sidechains, mais uma vez precisamos voltar às origens e entender como funcionam as blockchains. Apenas para facilitar a compreensão, vamos comparar o Bitcoin a um outro tipo de ativo: a terra.

Vejamos as semelhanças:

  • a quantidade de terra existente é fixa, como a de Bitcoin;
  • a terra não é totalmente tangível, da mesma forma que o Bitcoin (quando você compra um terreno, está comprando aquele espaço, não a terra em si);
  • o uso não consome a terra, ela pode ser apenas transformada e transferida, o que também é similar ao Bitcoin e diferente de outras commodities, como água e petróleo.

Nessa analogia, podemos dizer que as transações com Bitcoins seriam como fusões ou divisões de vários terrenos.

Agora, imagine que você tenha 20 Bitcoins na sua carteira e queira comprar um carro usando 11 deles e que o minerador cobre uma taxa de 1 Bitcoin pela transação. O caminho que você precisa percorrer é:

  1. provar que você é o dono das criptomoedas que está querendo usar;
  2. dizer como as moedas vão ser alocadas: quantas e para quem vai enviar. No caso, 11 vão para o vendedor, 8 voltam para você e 1 vai para o minerador;
  3. especificar o que os novos proprietários terão que fazer para provar que eles agora de fato são os donos das moedas. Em outras palavras, dizer o que eles terão de fazer no passo 1 quando tentarem gastar as moedas no futuro.

Assim, você teria três especificações: a do vendedor do carro, que vai ficar com 11 Bitcoins, a sua, que vai permanecer com 8, e a do minerador, que vai ficar com 1.

Dessa forma, podemos resumir a transação da seguinte forma: “estas são as moedas que eu quero transferir, esta é a prova de que tenho direito a elas e isto é o que o destinatário precisa fazer se quiser mexer nelas no futuro”.

Assim, quando “enviamos” Bitcoins para alguém, não damos posse deles a um indivíduo, apenas definimos uma condição, e qualquer um que consiga satisfazê-la será considerado o proprietário.

Aqui, vale um aparte: ainda usando a comparação com a terra, podemos dizer que, se os Bitcoins são uma ilha, as altcoins são apenas outras ilhas.

Esse processo acarreta algumas consequências indesejáveis:

  • lentidão nas transações;
  • possibilidade de transferir apenas a posse de Bitcoins, limitando a troca de informações mais ricas;
  • limitação nas condições de transferência;
  • adoção de um único padrão de segurança para todas as transações, independentemente da quantia transferida.

Como funcionam as sidechains?

O insight por trás das sidechains foi a ideia de que se poderia enviar Bitcoins não apenas para indivíduos, endereços e serviços centralizados, mas para outras blockchains. Na prática, uma sidechain nada mais é do que uma blockchain que valida dados de outras blockchains.

Imagine que você gostaria de usar algum sistema similar ao do Bitcoin, como Litecoin ou o Ethereum, sem ter que comprar as moedas nativas daquela plataforma. É aí que as sidechains entram.

Você vai enviar os Bitcoins para um endereço especial de Bitcoins, desenhado especialmente para que as moedas fiquem fora do seu controle e do de qualquer outra pessoa. Assim, elas ficam completamente imobilizadas e só podem ser destravadas se alguém conseguir provar que elas não estão sendo usadas.

Uma vez confirmada essa operação de imobilização, você manda uma mensagem para outra blockchain, a que você quer usar. Essa mensagem contém uma prova de que as moedas foram enviadas para aquele endereço especial de Bitcoin e que, portanto, estão imobilizadas e que foi você quem fez isso.

Se essa segunda blockchain aceitou ser uma sidechain do Bitcoin, ela cria em sua própria rede o mesmo número de tokens e dá a você acesso a eles. Assim, é como se seus Bitcoins tivessem sido transferidos para a segunda cadeia, quando, na verdade, permanecem imobilizados na rede do Bitcoin. Assim, nada foi criado nem destruído, apenas “movido”.

Da mesma maneira, também é possível mandar essas moedas da sidechain de volta para a rede do Bitcoin.

Quais as aplicações da sidechain no mercado?

O desenvolvimento das sidechains permite resolver alguns dos desafios que levantamos acima em relação às criptomoedas, além de abrir uma gama de oportunidades, como:

  • “mover” a moeda entre as diferentes plataformas;
  • reduzir a vulnerabilidade do mercado;
  • reduzir barreiras para novos usuários;
  • descentralizar a segurança e introduzir novos protocolos de segurança mais poderosos;
  • dar visibilidade às transações;
  • adicionar ou modificar recursos que o Bitcoin originalmente não oferece;
  • adicionar extensão para scripts sem impactar usuários não interessados.

Por fim, vale ressaltar que esses desenvolvimentos não interferem em nada na rede própria de Bitcoins, de forma que você pode continuar realizando suas transações tranquilamente.

Pronto! agora você já sabe como surgiu a sidechain e as mudanças que ela está provocando no mercado de criptomoedas.

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