O mercado de Bitcoins está cercado de termos e conceitos pouco conhecidos. As expressões e rotinas, envolvendo transações de moedas virtuais, geram muitas dúvidas, principalmente quando o usuário não está tão habituado com as plataformas de trade e gestão de wallets. O double spending é um exemplo que traduz muito bem uma expressão pouco conhecida e que costuma gerar dúvidas dos usuários que compram, trocam e vendem moedas virtuais.

Pensando nisso, desenvolvemos este artigo especial, que vai trazer ao leitor informações relevantes sobre o conceito de double spending, como ele acontece e dicas para os usuários que querem evitar o problema. Ficou curioso? Então continue a leitura e descubra!

O que é double spending?

O double spending, também chamado de “gasto duplo”, é conceituado como o ato de gastar o mesmo Bitcoin duas vezes. Ele ocorre, principalmente, quando um usuário faz uma transação usando Bitcoins e, logo após, realiza uma segunda, utilizando as mesmas moedas virtuais.

Ele é considerado uma possível causa de falha no sistema das moedas virtuais. Tendo em vista que o usuário consegue gastá-las mais de uma vez, causando um problema em toda a rede e prejudicando outros usuários.

Diferente do que acontece com as moedas tradicionais que utilizamos, qualquer arquivo digital pode ser duplicado. Dessa forma, é necessário que sejam utilizados outros meios, como forma de prevenir a ocorrência do gasto duplo.

De que forma ele acontece?

Vamos imaginar uma situação hipotética que ajuda a entender o double spending. Imagine que um usuário, que vamos chamar de Marco, decide transferir uma moeda virtual para outro usuário, chamado Lucas. Ele faz isso sem informar a nenhum outro usuário do sistema sobre essa transação. Nesse caso, Marco pode criar outra transação, utilizando a mesma moeda, transferindo para outro usuário, Vitor. Segundo as regras do sistema, essa segunda transação também seria válida.

Em casos como esse, ambos os usuários que receberam a moeda, Lucas e Vitor, têm a mesma moeda, que foi gasta duas vezes pela mesma pessoa.

Quais são as abordagens utilizadas para evitar o double spending?

Quando se fala em prevenção do gasto duplo nas transações de moedas virtuais, podemos pensar em duas diferentes abordagens para evitar o problema. A primeira delas, é a centralização e a segunda, a descentralização. Entenda um pouco mais sobre cada uma delas.

Estratégia de centralização

A redução do risco de ocorrência de double spending por meio da centralização, é realizada com a participação de uma terceira entidade que segue determinadas regras, para autorizar as transações que foram realizadas no sistema. Isso faz com que seja possível verificar se as moedas já foram gastas ou não.

O grande problema envolvendo a estratégia de centralização é que, qualquer ponto de falha no sistema — como um erro de funcionamento da entidade que faz a verificação —, poderá fazer com que as transações não sejam processadas, impedindo a verificação adequada. 

Além disso, é imprescindível que todos os usuários do sistema confiem na entidade que realiza o processamento das transações e na realização de uma verificação eficiente.

Estratégia de descentralização

Na descentralização, o procedimento é um pouco distinto. Em vez de contar com o auxílio de uma entidade central, é elaborado um protocolo específico para lidar com tentativas de double spending. Em 2007, foram propostos diversos sistemas, desenvolvidos com o objetivo de minimizar o risco de gasto duplo dentro das plataformas de moedas virtuais.

Como o Bitcoin implementou soluções para evitar o problema do double spending?

A criptomoeda Bitcoin é um exemplo de moeda virtual que implementou um protocolo de solução descentralizado, visando coibir as tentativas de gasto duplo dentro do seu sistema.

Essa solução trouxe bons resultados. Ela está vinculada a um conhecido erro de criptografia, publicado em 2009, chamado de Problema dos Generais Bizantinos.

O problema trata de dois generais que desejam atacar uma cidade que é fortemente protegida. Cada um desses generais ocupa uma montanha, com um vale entre eles. Para que os generais possam sair vitoriosos, é necessário que o ataque ocorra de forma coordenada. Se um dos generais atacar sozinho, ele não terá forças suficientes para derrotar o inimigo.

Dessa forma, para que o ataque coordenado seja possível, é preciso que os generais realizem uma comunicação por intermédio de mensageiros. O grande problema dessa comunicação é que o mensageiro deve atravessar o vale para chegar a outra montanha. Por isso, ele corre um alto risco de ser capturado e a mensagem não ser entregue.

Assim, se um general envia uma mensagem informando que o ataque ocorrerá no dia seguinte, ele precisa de uma resposta do outro general, confirmando o ataque. O general que recebe a resposta, mesmo concordando, não tem garantias de que a sua mensagem foi, de fato, entregue.

Como não há garantia de resposta, se um dos generais hesitar no ataque, a derrota também acontecerá. Ainda, mesmo que todas as mensagens sejam entregues aos seus destinatários, um dos generais ficará sem a garantia de confirmação.

O mesmo ocorre em uma rede descentralizada com a blockchain. Não existe um agente que seja capaz de confirmar que aquela transação é correta. Nas relações comerciais tradicionais, isso é feito por bancos e operadoras de cartão de crédito.

Dessa forma, o Bitcoin utilizou um sistema chamado de “Prova de Trabalho”, que abre mão de uma autoridade central para realizar o histórico das transações. Assim, os participantes do sistema seguem um protocolo, sendo que a validação das transações ocorre por um consenso. Todas as transações ficam gravadas em uma base de dados pública, chamada de Blockchain.

O protocolo do consenso faz com que a probabilidade de uma transação de double spending ser aceita seja muito mais baixa. Entretanto, o Bitcoin ainda tem uma certa exposição ao problema, especialmente quando uma determinada transação é aceita sem nenhuma confirmação.

Como você pôde ver, sem resolver o problema dos generais bizantinos, as moedas virtuais poderiam ser um fracasso. Entretanto, a solução proposta pelo Bitcoin, de que o envio de uma transação para a blockchain estivesse atrelada a inserção em um bloco, solucionou o problema.

Assim, o bloco cria redes, sendo que as transações somente se tornam válidas se o minerador conecta o bloco na rede para validação. A confirmação ocorre à medida que os novos blocos são ligados ao bloco onde está a transação.

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