O bilionário e CEO das empresas Tesla e SpaceX, Elon Musk, sugeriu que os grandes detentores (baleias) de Dogecoin se desfaçam de suas posições. Segundo Elon, o fato de poucos endereços concentrarem quase metade das moedas é prejudicial para o crescimento das criptomoedas.

Afinal, será mesmo que grandes detentores (holders) são algo prejudicial para um ativo? Como funciona isso nos demais mercados de ações, ouro e terras produtivas?

Quem são as baleias de Dogecoin?

Para nossa felicidade, os dados do blockchain são transparentes e auditáveis. O endereço que mais chama atenção possui US$ 2,16 bilhões de dólares equivalentes, ou 28,7% das moedas em circulação.

Esta baleia iniciou com cerca de 9 bilhões de DOGE em Out/2018, e desde então vem acumulando, atingindo 20 bilhões em Dez/2020. Foi então que adotou um ritmo mais forte de compras, buscando os atuais 36,8 bilhões em dois meses.

A vice-líder está parada desde o início da vida do Dogecoin, 7 anos atrás. Em seguida, temos um endereço que acumulou seus 4,16 bilhões de moedas nos últimos 20 dias. Ou seja, uma média de US$ 11 milhões de compras por dia.

Somados, os 10 maiores totalizam 46,8% das moedas em circulação, equivalente a uma fortuna de US$ 1,84 bilhão.

Concentração é ruim?

Não, embora exista um mito de que grandes detentores exercem uma força desproporcional na cotação. Se existe um interessado na valorização do ativo, é alguém com uma posição grande.

Supondo que esta entidade tenha 20% das moedas, é quase impossível vender tudo em 1 ou 2 meses sem um grande impacto no mercado. Por este motivo, este vendedor é extremamente cauteloso ao se desfazer da posição.

Em contrapartida, centenas ou milhares de indivíduos são mais facilmente levados pela emoção. Em especial, quando a posição não é significativa em sua carteira.

Como funciona isso nos demais mercados?

No caso do ouro, por exemplo, os 10 maiores países possuem 11,5% do estoque total. Ao excluir as jóias, esse número sobe para 23%. No caso de ações de empresas, é comum o grupo controlador ter entre 15% e 49% do total.

Na Amazon, por exemplo, Jeff Bezos possui 11%, enquanto os 7 maiores fundos de investimento, outros 20%. Dessa forma, surge um novo problema, pois estes fundos representam aportes de milhares de pequenos investidores.

De maneira similar, os três maiores endereços de Bitcoin pertencem a exchanges. Em suma, em última instância é difícil afirmar que o detentor de um endereço de criptomoeda seja uma única pessoa.

Vale a pena comprar Dogecoin?

Definitivamente, a altcoin, criptomoeda alternativa, é um investimento de altíssimo risco. Isso porque seu desenvolvimento foi interrompido cerca de três anos atrás.

Embora conte com um grande número de fãs, conhecidos por seus memes, acabou encontrando apoio entre os seguidores do grupo WallStreetBets. A rede social Reddit, que havia impulsionado algumas ações de empresas, encontrou refúgio no Dogecoin.

Resultado: a alta de 1.100% no dia foi seguida de um ajuste de 75%. Quem esperou para entrar, provavelmente saiu no prejuízo. Certamente alguns traders souberam aproveitar o momento, porém é impossível prever quando a reversão irá ocorrer.

Em suma, se o objetivo é especular no curtíssimo-prazo, Dogecoin é interessante por seu grande número de apoiadores. No entanto, uma carteira mais diversificada, especialmente com os líderes Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH), é certamente mais segura.

Redator | BitcoinTrade

Breno tem mais de 12 anos de experiência com Marketing Digital. Já passou por grandes varejistas tradicionais e em 2017 se apaixonou pelas criptomoedas. Hoje é responsável pelas estratégias de comunicação e aquisição de novos clientes na BitcoinTrade.