Todos os dias dentro da minha rotina diária de leituras aqui na Empiricus sobre o mercado cripto, me deparo com inúmeras inovações nativas desse mundo que me fazem realmente crer que é um caminho sem volta. São tantas coisas que até quando falo com especialistas que estão no meio a algum tempo, algumas vezes eles não sabem sobre os projetos que menciono, assim como do meu lado também não consigo saber de tudo que está acontecendo.

Estamos vivendo algo semelhante como a explosão pré-cambriana do mercado cripto e muito coisa em ebulição agora está totalmente fora do radar das pessoas do mercado tradicional, que mal entendem Bitcoin. Por isso decidi usar esse espaço no blog da BitcoinTrade para mostrar inicialmente 2 projetos que eu considero altamente disruptivos e não estão sendo falados além da mídia ultra especializada.

Vamos aos 2 projetos que você deveria saber que estão acontecendo, mas provavelmente não deve ter ouvido falar.


MakerDAO

O MakerDAO tem a intenção de ser uma espécie de banco descentralizado no qual é possível pegar um empréstimo em dólar através do seu saldo em cripto. Funciona da seguinte forma: imagine que você tenha ether em carteira e precise pagar as contas do dia a dia, mas não queira abrir mão de se posicionar a favor do ativo porque acredita em seu futuro promissor. Com o MakerDAO é possível você travar seus saldos em ether e pegar 2/3 do valor travado em um token da plataforma que se chama DAI, que, por sua vez, vale aproximadamente 1 dólar. Caso o preço do ether venha a cair abaixo do valor que você tomou de empréstimo, a plataforma liquida a sua garantia para não ficar no prejuízo. 

Por exemplo, imagine que um ether custe 150 dólares e você use a plataforma exatamente com um ether. Isso quer dizer, que no momento que você firmou o contrato de empréstimo, a plataforma travou seu criptoativo e deu o equivalente para você em DAI, aproximadamente 100 dólares. Nesse momento você é livre para usar esse dinheiro da forma que quiser e o seu 1 ether ficará travado na plataforma. Desse ponto em diante podem acontecer duas coisas: a primeira é o valor do ether variar próximo do valor inicial, quando você contratou o empréstimo, e nunca cair abaixo dos 100 dólares. Nesse caso, o seu saldo em ether ficará travado e assim que quiser devolver o valor que tomou emprestado, basta acessar a plataforma e fazer a permuta entre DAI e o ether. Claro que para a ser sustentável, assim como um banco, o MakerDAO precisa cobrar taxas por esse empréstimo, que atualmente é de 10,5% anual, mas frequentemente é revisada para manter a sustentabilidade da rede. Por outro lado, imagine que o ether venha a cair a um preço abaixo de 100 dólares, nesse caso a sua posição em ether será vendida e você não poderá reaver o valor inicial. Dessa forma a plataforma garante que nunca ficará no prejuízo devido as oscilações do mercado cripto.

Pode parecer totalmente um produto sem mercado, dado que as taxas de juros no mundo inteiro são muito baixas e até negativas, então seria totalmente contra-senso alguém tomar um empréstimo pagando 10,5% ao ano. No entanto, existem muito projetos cripto que fizeram ICO em 2017 e nunca conseguiram de fato abrir uma conta bancária para pagar seus colaboradores via sistema tradicional. São essas equipes o público alvo desse projeto, pois um time que tem a maioria dos seus recursos em ether, captados via ICO, precisa pagar os desenvolvedores do projeto, mas ao vender ether pode causar uma pressão vendedora no ecossistema que é nociva ao projeto indiretamente. Por isso a opção da plataforma se encaixa muito bem nas necessidades desses casos. E o que comprova o sucesso do MakerDAO é a quantidade de ether travado dentro da plataforma, que já chega a marca de 1,5 milhão de ETH, aproximadamente 1,4% de todo o ether disponível.

Protocolo UMA

O Protocolo UMA é uma ferramenta para se fazer investimento, sem intermediários, em ativos sintéticos que envolvam duas partes, como em contratos por diferença. 

Esse modelo é bem comum na indústria tradicional financeira e envolve duas partes, podendo ser empresas ou pessoas. O contrato por diferença é vantajoso quando uma das partes não deseja correr o risco que atualmente está correndo. Por exemplo, uma empresa “A” que possui seus contratos com fornecedores ligados à variação do dólar, mas como suas vendas estão atreladas ao real, prefere correr o risco da moeda local em detrimento da moeda americana. Do outro lado temos um banco “B” que acredita que o dólar vai cair em relação ao real e está vendendo essa moeda. Nesse exemplo, essas duas partes podem fazer um contrato em que a empresa “A” assume pagar suas dívidas com os fornecedores em real a um valor fixo e a diferença desse valor é assumida pelo banco. Então se a moeda americana subir o banco “B” vai arcar com os prejuízos, e pagar a diferença, mas se o dólar cair, como o banco espera, a instituição ficará com os lucros que serão a diferença entre as moedas.

No entanto, esse modelo só é feito hoje com um intermediário que garante que ambas as partes cumpram o combinado. No protocolo UMA é possível fazer o mesmo exemplo acima, mas com qualquer pessoa do mundo. E por uma questão de explorar outros exemplos, vamos pensar em uma situação diferente da que falamos acima para realmente provar o poder da descentralização assim como o poder de inclusão desse modelo. Imagine que exista um cidadão na China, Lee, que deseje se expor ao principal índice do mercado americano, o S&P500, mas devido às limitações impostas pelo seu governo ele não consiga realizar seu desejo pelos meios comuns, como a bolsa. Com o protocolo UMA, Lee pode criar um contrato inteligente, depositar uma margem em DAI, o dólar sintético do exemplo acima, e esclarecer suas condições de que quer se expor a variação do índice americano. Na outra ponta do contrato pode estar uma pessoa que acredite que o S&P500 vá cair e queira aceitar o contrato de Lee, então se faz o mesmo processo que o cidadão chinês, se deposita um valor de margem em DAI e então o contrato é firmado. A partir desse momento, se o S&P500 subir Lee perde dinheiro até atingir sua margem total, já no caso de o índice cair, Lee ganha DAI até a margem da outra ponta se acabar.


Esses são os dois projetos que considero extremamente interessantes dentro do mercado cripto e principalmente dentro do universo que envolve a plataforma do ethereum. Mas as inovações não param por aí, pois existe uma dezena de projetos que se enquadram na mesma categoria que o MakerDAO e o UMA, finanças descentralizadas. Por isso, nas próximas postagens pretendo apresentar outros projetos semelhantes a esses que trazem inclusão financeira pelo mundo.

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