Desde que foi lançado em 18 de dezembro de 2017, o contrato futuro de Bitcoin da CME (Bolsa de Valores de Chicago) é percebido como o grande algoz do mercado. Afinal, aquela semana marcou o “estouro da bolha” próximo de 20 mil dólares.

Um estudo da Arcane Crypto de 2018 e 2019 encontrou uma queda de 2% na cotação nas 40 horas que antecedem o vencimento mensal. No entanto, esse efeito desapareceu no ano seguinte, conforme análise da Cointelegraph.

O que é o futuro de Bitcoin CME?

O contrato futuro é um acordo para negociação entre duas partes por um preço predeterminado em uma data futura. Por exemplo, um comprador e um vendedor de Bitcoin no valor fixo de 50 mil dólares em 31/Dez/2021.

No contrato futuro, ambos são obrigados a depositar uma garantia, também conhecida como margem. Se a cotação subir, o vendedor é obrigado a aumentar seu depósito, e o inverso vale na queda.

É importante entender que o contrato CME é de liquidação financeira, ou seja, não há entrega efetiva de Bitcoin no vencimento. Ou seja, é basicamente uma aposta entre duas partes.

Quanto negocia o futuro CME de Bitcoin?

A média dos últimos 3 meses foi de 2,4 bilhões de dólares diários. No entanto, a medida mais importante é o número de contratos em aberto. Este indicador mede qual o montante de apostas pendentes para os próximos meses, independente se estão sendo negociadas.

Atualmente são cerca de 1,5 bilhões de dólares em contratos abertos do futuro CME. Esse valor se compara aos 2,9 bilhões dos futuros de ouro na CME.

Compradores e vendedores equilibrados

Há uma certa confusão quando afirmamos que compradores e vendedores de contrato futuro estão sempre equilibrados em tamanho. Na realidade, é comum que parte destes investidores não esteja preocupado com a mudança no preço.

Por exemplo, um investidor pode comprar Bitcoin em uma exchange e enviá-lo para sua wallet (carteira), enquanto vende a quantidade equivalente em contrato futuro. Deste modo, sua exposição com a variação da cotação é nula.

Este trade é muito realizado por arbitradores, pois é comum o contrato futuro negociar por um preço maior, conhecido como prêmio. Tal movimento é ainda mais evidente em mercados de alta (bull).

Compradores podem estar neutros?

Sim, de maneira similar, é comum a compra de contratos futuros em operações de arbitragem. Por exemplo, comprando o contrato com vencimento em outubro, e simultaneamente vendendo o vencimento de dezembro.

Nesse caso, a alta ou queda do Bitcoin não influencia diretamente no resultado. Outros casos semelhantes ocorrem quando o mesmo investidor fica “vendido”, ou seja, exposto à queda, no mercado de opções — outro contrato de derivativos.

Como saber qual força prevalece?

Infelizmente isso é impossível de se estimar. Sem dúvidas, em mercados de alta, quando o prêmio do contrato futuro passa de 8% ao ano, é comum que os vendedores sejam predominantemente arbitradores.

A CME divulga semanalmente dados da exposição de cada uma das “classes” de investidores: fundos, bancos, alavancados, entre outros. O grande problema dessa distinção é que os bancos, por exemplo, podem operar em nome de clientes.

De maneira similar, não há como saber se a posição dos fundos e alavancados é direcional (apostando na alta ou queda), ou apenas uma arbitragem com o mercado à vista.

A alavancagem é prejudicial para o Bitcoin?

Não. Alguns analistas alegam que as liquidações forçadas, quando a exchange vende a posição de um comprador (long) por margem insuficiente, são os causadores de quedas acentuadas no Bitcoin. No entanto, esquecem que quando foram comprados, estes contratos podem ter ajudado a impulsionar a alta.

Cabe lembrar que nem todo trader de contrato futuro está buscando aumentar a exposição, pois, como explicado anteriormente, é possível fazer operações de arbitragem, e até mesmo hedge (proteção). Nesses casos, a variação na cotação é indiferente para o detentor do contrato.