Semanas atrás, o presidente da SEC, CVM norte-americana, Gary Gensler, se pronunciou sobre a regulação do mercado de criptomoedas.

Em sua fala ficou evidente que o mercado de finanças descentralizadas DeFi irá passar por um processo regulatório, incluindo seus intermediadores, além dos próprios criptoativos. 

Entre os impactos desta está a imposição de restrições nas classes de ativos ofertados. Isto irá ocorrer tanto em exchanges centralizadas quanto nas descentralizadas.

O que é a Uniswap?

A Uniswap é uma corretora descentralizada (DEX) fundada por um dos desenvolvedores da rede Ethereum, Hayden Adams, em 2018. Atualmente, é a líder absoluta em volume de negociação.

A Uniswap atua somente na rede Ethereum, e é um dos principais e mais conhecidos produtos de DeFi. A DEX possui quase 6 bilhões de dólares em Valor Total Alocado (TLV) nem seus smart contracts.

O criptoativo Uni Swap (UNI) é seu token de governança, como o qual é possível participar das “cooperativas de liquidez”, em troca de remuneração, além de garantir voto nas decisões importantes do projeto.

Como acessar a Uniswap?

Para realizar alguma troca (swap) na Uniswap, é necessário ter uma carteira (wallet) de criptomoedas compatível com a rede Ethereum. A carteira mais utilizada é a Metamask, que além de gratuita, possui um navegador específico para aplicações descentralizadas. 

Em resumo, você precisa da carteira Ethereum instalada e de certa quantidade de Ether (ETH) para pagar o gas, a taxa dos mineradores, necessária para registrar a transação na rede.

Você pode acessar a DEX através do site oficial app.uniswap.org. Para conectar sua wallet basta clicar em “conectar-se à carteira”.

Depois de conectado, você conseguirá ver seus saldos e realizar negociações.

Como ocorreu a censura da Uniswap?

Em 23 de julho, a Uni Swap Labs, empresa responsável pelo desenvolvimento da DEX, anunciou uma restrição do acesso a certos tokens na interface do protocolo.

A decisão foi tomada após o pronunciamento da SEC. Segundo informações do “The Block”, a restrição atingiu mais de 100 criptoativos, incluindo ações tokenizadas, além de tokens de derivativos.

Que ativos foram censurados?

Alguns exemplos são ações tokenizadas da Tesla e da Amazon, a stablecoin Tether Gold (XAUT), e opções de ETH da Opyn, com diferentes possibilidades de preços de exercício e datas de expiração.

Apesar disso, cabe lembrar que a Uniswap Labs é a entidade de software que desenvolveu o front-end do aplicativo Uniswap, a interface gráfica do usuário através de navegadores de internet. 

De maneira geral, esta é apenas uma das formas de acessar os tokens disponíveis na interface. Ou seja, a troca via Uni Swap desses ativos continua disponível através dos contratos inteligentes (smart contracts) do protocolo.

Apesar da restrição aos tokens, os usuários ainda podem negociá-los desde que o façam acessando pessoalmente os contratos dos mesmos.

Como a Uni Swap Labs disse em pronunciamento no blog:

 “Há muitos outros portais ou instâncias executadas localmente usadas para acessar o Protocolo Uniswap. (…) esta ação não tem impacto no código da interface, que permanece aberto, ou nos muitos outros portais ou instâncias executadas localmente usadas para acessar o Protocolo Uniswap.”

O que esperar sobre o futuro das DEXs?

A comunidade questionou a suposta descentralização da Uniswap, e agora teme novos impactos caso a pressão dos reguladores se espalhe para outros países. 

É importante frisar que este processo pode beneficiar as finanças descentralizadas, pois, no futuro, pode atrair novos investidores institucionais. A falta de regulação limita tanto o investimento nos projetos, quanto exposição direta nas criptomoedas.

Apesar de toda polêmica, o token Uniswap (UNI) está entre as 10 maiores em capitalização de mercado. Isso mostra que o impacto da tentativa de censura não foi tão relevante.

Acima de tudo, é válido reforçar que o Protocolo Uniswap — diferente da Uni Swap Labs — atua através de contratos programáveis, os smart contracts, de forma imutável e descentralizada.