Acredite se quiser: mesmo com a incrível alta de 28% em 2019 (até 13/dez), o Ibovespa foi o pior investimento da década segundo apurou o UOL. O retorno acumulado nestes 10 anos ficou em míseros 57%, ou seja, 17% atrás da inflação medida pelo IPCA.

Ou seja, toda aquela história de ações como investimento de longo-prazo, que jamais perde pro CDI analisando um período mais longo é mentira. Este retorno magro ocorreu mesmo surfando excelentes ventos, afinal de contas tivemos média de alta de 25% ao ano desde 2016.

Quer ver como andou o Bitcoin, ouro e demais opções de investimento? Continue a leitura!

Como é possível?

Conforme gráfico acima, o retorno do Ibovespa entre 2010 e 2015 foi péssimo. Quem colocou R$ 1.000 no índice encerrou o período com R$ 628. Mesmo um esforço hercúleo nos últimos 4 anos não foi suficiente pra salvar a década perdida.

O que esses vendedores de milagres teimam em apresentar é uma pequena parte das ações mais negociadas na Bovespa. Em toda amostra deste tamanho é normal encontrar 10 – 15 grandes vencedores, ações que subiram 10x ou mais como Magazine Luiza ou Unipar. 

Da mesma forma vão existir Viver Construtora (-99,9%), João Fortes Engenharia (-93%) e Renova Energia (-90%). O problema é que estas ações perdem liquidez, saem dos índices e são esquecidas. A verdade é que na média o investidor de ações perdeu dinheiro nos últimos 10 anos. Isto ocorre por conta da inflação, a perda do poder de compra do dinheiro parado.

Desconfie de analistas que mostram apenas ações vencedoras. Olhar no retrovisor dentro de um universo de 150 ações e escolher a dedo as 5 ou 10 com maior retorno é muito fácil e gera muitos pageviews, o problema é descobrir quais serão as maiores altas da próxima década.

Abaixo vamos analisar o ganho das demais classes de ativos além de comparar com as principais criptomoedas, já que o UOL “esqueceu” de incluí-las.

Ouro é líder com folga

234%, este foi o retorno de quem investiu em ouro desde 2010. É importante ressaltar que esta commodity (bem em estado bruto, produzido em massa) tem sua cotação internacional majoritariamente medida em Dólar. Por este motivo a desvalorização do Real R$ auxiliou na alta do ouro.

De qualquer maneira, o CDI – Certificado de Depósito Interbancário, que mede a taxa de empréstimo entre os bancos, referencial para retornos da renda fixa, destronou absolutamente todas as demais classes de investimento: Dólar, poupança, Euro e Ibovespa.

E os fundos imobiliários?

Fundos imobiliários foram o destaque da Bovespa em 2019, acumulando 43% de alta em 15 meses. Seria este o investimento da década? Não. O retorno acumulado do IFIX – Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários da Bovespa desde sua criação em Set/2012 é de “apenas” 101%.  

Sim, provavelmente existem casos de fundos que renderam 100% ou mais no ano. Voltamos ao problema da curva normal: em toda amostra suficientemente grande, vamos encontrar 10% “grandes campeões” e os mesmos 10% na ponta oposta. O que estes analistas fazem é apresentar apenas os ganhadores, gerando uma falsa esperança pro novato. 

Quer uma evidência concreta? Repare nesta tabela abaixo fornecida pelo site fundexplorer.com.br referente ao desempenho em 2019:

Mesmo quando adicionamos o dividendo ao retorno da ação no ano, são 30 fundos que tiveram retorno abaixo da inflação. 17 destes apresentaram performance negativa no ano, já incluindo os dividendos.

Lembre-se: não existe rendimento acima da inflação sem risco. Mesmo se houvesse tal caminho, a procura pelo ativo seria tanta que quase imediatamente o preço se ajustaria devido a forte demanda.

O “esquecido” Bitcoin

Sempre que alguém falar de “bolha” do Bitcoin e criptomoedas, mostre o gráfico acima. Os 200 bilhões de Dólares deste mercado são insignificantes frente aos 8.200 bilhões do Ouro ou 70.000 bilhões dos mercados acionários globais.

De qualquer forma, seria injusto excluir o Bitcoin desta comparação uma vez que olhando apenas os ativos disponíveis na Bovespa, a ação de maior capitalização de mercado, Petrobras PN, é de cerca de USD 108 bilhões.

Se o critério fosse liquidez, certamente os R$ 25 milhões em média negociados de Bitcoin diariamente nas 4 maiores exchanges (média entre 16/set e 15/dez) seriam suficientes pra qualificar o ativo.

Vale ressaltar que os investidores brasileiros podem negociar livremente entre si ou no exterior seus Bitcoins, obviamente seguindo as regras domésticas de declaração de IRPF. Siga nossas dicas neste post de como se adequar a normativa 1.888 e ficar em dia com a Receita.

Afinal, qual foi o retorno do BTC?

Seria covardia comparar o retorno desde 2010, uma vez que nos primeiros 2 anos de vida o valor de mercado do BTC era extremamente baixo. Lembre-se que a primeira transação comercial registrada foi a compra das 2 pizzas por 10.000 BTCs do Laszlo Hanyecz em Mai/2010.

Olhando os últimos 5 anos, o retorno foi de ~5.000%. É até difícil mensurar isto, mas quem investiu R$ 1.000 hoje teria o equivalente a R$ 50.000. Se ainda assim você, por algum motivo, resolver analisar só os últimos 3 anos, pois afinal foi onde 80% do público entrou, o retorno foi de 1.000%. Sim, 10x de ganho só no Bitcoin, sem contar os forks.


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