Um dos questionamentos constantes sobre blockchain é a sustentabilidade, pois a mineração é considerada um vilão. Mesmo projetos de identidade digital, cartório virtual, e rastreamento de logística são indiretamente dependentes da mineração de criptomoedas.

Mineração é o processo computacional responsável pelo registro de dados no blockchain, esse livro-registro imutável e compartilhado. No entanto, esses mineradores demandam muita energia elétrica, além de placas de vídeo e computadores projetados para esta função com vida útil inferior a 4 anos.

Acima temos a estimativa do site Digiconomist, analisando o consumo e dispêndio anual da mineração do Bitcoin. Sua emissão de carbono é equivalente à da Romênia, e o lixo eletrônico se iguala à Holanda, país com 17,5 milhões de habitantes.

Cabe lembrar que nem toda criptomoeda utiliza a mineração utilizando a Prova de Trabalho, ou Proof of Work. Por esse motivo, não é possível relacionar diretamente o uso da tecnologia blockchain ao dispêndio energético e o lixo eletrônico.

O que é ESG?

ESG engloba princípios ambientais, sociais, e de responsabilidade corporativa, que em inglês significa “environmental, social and governance.” Isso não significa que a atividade-fim da empresa ou projeto precisa ser voltada para questões ambientais, ou melhorar as condições de vida da sociedade.

Por exemplo, um banco pode adotar práticas ESG ao comprar créditos de carbono para neutralizar a emissão do transporte de funcionários e do gasto energético para manter os sistemas e agências, eliminando o uso de descartáveis, e criando um ambiente onde diferenças e necessidades individuais são respeitadas.

Ao mesmo tempo, o banco deve assegurar que a própria empresa, além de fornecedores e parceiros façam a correta gestão de resíduos, assegurem a diversidade da equipe, mantenham um canal de denúncias seguro para assédios, corrupção, ou desrespeito aos direitos humanos.

Enfim, ESG preza pela responsabilidade de uma forma mais ampla, definindo regras, metas e estabelecendo punições.

Blockchain pode seguir padrões de ESG?

Sim. Engana-se quem acredita que só existe o blockchain do Bitcoin e Ethereum, as duas maiores criptomoedas. Existe outra forma de assegurar a honestidade dos participantes desse sistema, conhecido como Prova de Confiança, ou Proof of Stake.

Para registrar ou validar informações na cadeia de dados, a entidade é obrigada a depositar um valor de garantia. Desse modo, caso os demais participantes percebam que houve uma tentativa de adulteração dos dados, este agente malicioso será punido imediatamente.

Ao trabalhar nesse sistema de cooperativismo, elimina-se a necessidade da mineração. Ou seja, o gasto energético é similar ao sistema tradicional de servidores centralizados. É nesse formato que as aplicações de blockchain sem impacto ambiental trabalham.

Já existem casos de sucesso dessas aplicações?

Segundo apurou o jornal Folha de SP, a produtora de alimentos JBS inaugurou em abril de 2021 uma plataforma de rastreabilidade para produtores e frigoríficos utilizando a tecnologia blockchain.

Ao garantir que as informações não sejam alteradas ou desviadas, protegidas pela criptografia, é possível avaliar o desempenho socioambiental de fornecedores, inclusive identificando registros de desmatamento, trabalho escravo, ou uso de áreas embargadas.

Outro caso de sucesso relatado pelo jornal é da Eureciclo, uma startup que utiliza o blockchain para assegurar a correta remoção de resíduos, transformando-os em certificados digitais. Por ser registrado de forma transparente e auditável no blockchain, estes certificados podem ser comercializados, de forma similar aos créditos de carbono.

Somente no ano passado, a startup compensou mais de 106 mil toneladas de resíduos de embalagens, gerando quase de R$ 6 milhões de receita para empresas e operadores de reciclagem do país.

Como a LGPD se encaixa no blockchain?

A Lei Geral de Proteção de Dados brasileira responsabiliza as empresas para evitar vazamentos de informações dos clientes, além dos próprios colaboradores. O próprio histórico de navegação dos usuários não pode ser armazenado em servidores compartilhados ou registrado sem um sistema de proteção.

Por esse motivo, muitas empresas estão recorrendo à criptografia e segurança de dados em sistemas utilizando blockchain para registros utilizando pseudônimos, sem expor dados privados. Ao optar por um banco de dados compartilhado, sem um servidor central, os participantes são obrigados a proteger automaticamente toda informação sensível.