Na terça-feira, 19 de outubro, ocorreu o tão sonhado lançamento do fundo de Bitcoin listado na bolsa dos EUA. Conhecido como ETF, o instrumento negocia como uma ação de empresa comum, porém sua cotação segue a trajetória da criptomoeda. 

O Bitcoin acumulou alta de 52% no mês ao atingir a máxima histórica de 67 mil dólares em 20 de outubro, porém cedeu 7% em seguida. Os investidores agora questionam se houve exagero no movimento, e qual o real impacto do ETF no mercado.

Para que serve um ETF?

O ETF funciona como uma ação de empresa, negociado em bolsa de valores, porém na realidade é uma cota de um fundo de investimento. Existem ETFs de petróleo, ouro, ações de empresas chinesas, títulos de dívida, imóveis, entre outros.

Desse modo, fundos de previdência, gestores de fortunas, e demais fundos de investimento regulados ganham acesso a mercados antes restritos, seja por questões regulatórias ou de ordens práticas.

Como funciona o ETF de Bitcoin?

O ETF que iniciou negociação em 19 de outubro, ProShares Bitcoin Strategy ($BITO), não é autorizado a investir diretamente em Bitcoin. No entanto, o fundo consegue exposição através do contrato futuro negociado na CME, a bolsa de Chicago.

O contrato futuro é um instrumento de derivativo, uma aposta financeira, digamos assim, onde o comprador ganha em dias de alta, porém paga em dias de queda. Ambos os lados depositam uma garantia, e a bolsa de valores faz o acerto diário de forma automática.

Existe um prazo de vencimento do contrato futuro, que no caso da CME é mensal, quando tais apostas são encerradas. Caso o cliente queira criar novamente a posição para o próximo mês, pode fazê-lo depositando a margem de garantia novamente.

ETF não pode comprar Bitcoin?

Poderia, se o regulador permitisse. No caso, nos EUA quem decide é a SEC, equivalente à CVM no Brasil. Por exemplo, existe um ETF “normal” de Bitcoin no Brasil, e outro no Canadá. Nestes casos, o fundo compra criptomoedas diretamente e sua custódia fica por conta de outra empresa, devidamente regulada e autorizada.

ETF é bom para criptomoedas? 

Sim, pois abre as portas para classes de investidores que não podem comprar criptomoedas diretamente. No início de agosto, o Presidente da SEC, Gary Gensler, informou que a agência estaria aberta e inclinada a aprovar ETFs que investissem indiretamente em Bitcoin.

Ou seja, a alta de 50% nas 3 semanas que antecederam o efetivo lançamento do ETF sinaliza que o mercado vê com bons olhos essa movimentação. Numa visão de mais longo prazo, não há mudanças nos fundamentos da criptomoeda: escassez, segurança, transparência, e independência.

Qual o problema do ETF via contrato futuro?

Nem sempre o contrato futuro negocia com um valor próximo ao do Bitcoin nas exchanges. Isso porque as partes interessadas precisam esperar até o vencimento do contrato para reaver seu investimento.

Em resumo, essa diferença na cotação pode fazer com que a rentabilidade do ETF seja menor que um investimento direto no Bitcoin. Além disso, existem taxas cobradas pela bolsa para a negociação, a compra desses contratos, que deverá ser feita a de forma regular pelo fundo.

Vale a pena comprar Bitcoin após a alta? 

É impossível prever as oscilações de preço, pois este depende unicamente dos interessados na sua compra e venda em cada momento. A tendência de alta do Bitcoin para o médio e longo prazo é mantida, independente do lançamento do ETF.

A adoção das criptomoedas ainda é incipiente, tanto na utilização no dia-a-dia para pagamentos, quanto em remessas internacionais e reserva de longo-prazo. Quando mais países adotarem o Bitcoin como moeda oficial, e empresas passarem a utilizar a criptomoeda como reserva financeira, é provável que sua cotação acelere o movimento de valorização.A BitcoinTrade recomenda que cada cliente faça seu próprio estudo, descobrindo qual a alocação ideal em sua carteira de investimentos, e, acima de tudo, invista com segurança. Siga nosso Instagram e YouTube para acompanhar nossas dicas e leituras de mercado.