Se você perguntar pra qualquer pessoa com mais de 35 anos se imóvel é um bom investimento, provavelmente a resposta será positiva. Afinal, a valorização de terrenos, apartamentos e lojas nos últimos 20 anos no país foi incrível.

No entanto, o problema é que esta análise é feita em cima da moeda brasileira, o Real (R$). Além disso, é necessário lembrar que antes desse rally entre 2007 e 2015, houve um período de estagnação que durou 16 anos.

Acima temos o índice FipeZap de imóveis deflacionado pela inflação, ou seja, medindo apenas os ganhos reais. Repare que entre 1993 e 1999 houve uma alta nos preços, embora perdidos ao longo dos 4 anos seguintes.

Deste modo, podemos afirmar que não houve valorização sustentável no período que antecedeu o rally iniciado em 2007. Embora a lembrança das pessoas seja mais forte no período recente, não se trata de um movimento contínuo.

De maneira similar, dados mais recentes mostram que de 2014 para os dias de hoje houve uma queda nos preços de imóveis quando descontamos a inflação.

Em suma, na média, quem entrou em imóveis após 2011 no país está perdendo dinheiro hoje. Os investidores que compraram no pico de 2014 e 2015, apresentam prejuízo em termos reais de 25%.

Outro dado que pode reafirmar a ausência de valorização na última década são os fundos imobiliários disponíveis para negociação na B3. Embora o foco destes sejam os imóveis comerciais, são um importante termômetro em função de seu tamanho e liquidez.

O gráfico acima nos mostra que o IFIX – Índice de Fundos Imobiliários, quando medido em dólares, está 32% abaixo do patamar de 2013. Nesse sentido, é possível afirmar que a valorização apresentada em Reais (R$) foi mais do que consumida pela perda do poder de compra da moeda.

Em resumo, o investidor imobiliário no Brasil perdeu poder de compra ao longo dos últimos 10 anos. É fato que vão ser encontradas exceções, microrregiões que se valorizam acima da inflação, ou imóveis usados que estavam muito depreciados.

De qualquer modo, é incorreto extrapolar a valorização ocorrida entre 2007 e 2015. Muito embora, a mente do investidor guarda este período como evidência de retorno garantido.

Veja bem, isso não é o mesmo que afirmar que imóveis são um investimento ruim. Tudo depende do período em questão, além das peculiaridades de cada propriedade. Por exemplo, há épocas em que terrenos do agronegócio vão muito bem, enquanto os demais comerciais sofrem.

Em vista disso, aos investidores que desejam uma reserva de valor sólida, é importante considerar a diversificação da carteira. Bitcoin, dólares e até mesmo ações de empresas podem ser uma boa alternativa em épocas de juros baixos.

O Brasil encontra-se no momento com a taxa básica de juros (Selic) mais baixa da história, em 2% ao ano. Ao mesmo tempo, um dos efeitos da pandemia é a queda nas receitas do governo, e aumento de gastos. Este descasamento tende a enfraquecer a moeda local.

Dito isto, recomendamos aos clientes uma alocação na stablecoin DAI, criptomoeda pareada em dólar. Historicamente, em períodos de incerteza os investidores globais voltam-se para a maior economia do mundo, buscando liquidez e proteção.

Aos que desejam se aventurar no mercado imobiliário, nossa dica é que a análise inclua o custo de capital. Não se deixe levar apenas pelo retorno em valores brutos.

Redator | BitcoinTrade

Breno tem mais de 12 anos de experiência com Marketing Digital. Já passou por grandes varejistas tradicionais e em 2017 se apaixonou pelas criptomoedas. Hoje é responsável pelas estratégias de comunicação e aquisição de novos clientes na BitcoinTrade.