E o sol se pôs pela última vez em 2019. Com isso, chegamos ao fim de mais um ano animado para o mercado cripto. Tivemos de tudo: períodos calmos, euforia extremamente positiva, desânimo geral no mercado, mais calmarias, mais notícias, mais euforia…

Após um 1º semestre com incrível alta de 156% em dólar na capitalização total de mercado, 2019 tinha tudo pra ser um ano de recordes. Havia uma grande expectativa criada em torno do lançamento da bolsa de derivativos BAKKT, estouro da guerra comercial entre EUA e China além de grandes promessas de avanço na escalabilidade e utilização de finanças descentralizadas (DeFi) em diversas moedas.

No entanto a maré virou no início de Julho após uma série de notícias negativas abalar os mercados: quedas nas taxas de juros das principais potências, lançamento da BAKKT com baixos volumes, China apertando o cerco à exchanges e ICOs, Hack na Upbit coreana além dos EUA voltando a injetar dinheiro na economia através do mercado de empréstimo interbancário.

Desta forma a capitalização total de mercado fechou 2019 com 59% de alta em dólar, com o Bitcoin apresentando ganhos de 94%. Isto se deu por conta da alta da dominância (market share) do Bitcoin, que saltou de 55% para 70%. Em resumo: um excelente 2019, embora o sentimento negativo tenha dominado neste final de ano, especialmente pra quem estava em altcoins.

É importante lembrar que o mercado de criptoativos é bem recente e incipiente, portanto oscilações desta magnitude são normais e bem-vindas. Uma maior estabilidade de preços deverá ocorrer naturalmente conforme o aumento do valor dos ativos, número de participantes no mercado e instrumentos de hedge (proteção), a exemplo da listagem de opções na BAKKT e CME.

Principais Criptomoedas e Ativos

Motivos pra celebração

Conforme mencionamos acima muita coisa boa aconteceu no mercado de criptos em 2019: banco JP Morgan anunciou sua stablecoin, Ripple adquiriu Moneygram – tradicional empresa de remessas, bolsa de derivativos BAKKT apresentou melhora de volumes, hashrate do Bitcoin atingiu máxima histórica, Ethereum 2.0 deu seus primeiros passos após sucesso no hard fork preparatório e Alemanha autorizou bancos a intermediar e custodiar criptoativos.

Instabilidades político-econômicas seguem favorecendo as criptomoedas: mobilizações sociais (Paris, Hong Kong, Teerã, Caracas, Beirute, Quito), julgamento do impeachment do Presidente Trump, desvalorização de moedas (Argentina, Uzbequistão, Venezuela, Angola, Uruguai), dúvida sobre capacidade de pagamento das empresas chinesas e incertezas no Brexit. Embora nenhum destes fatores tenha imediata relação positiva com criptomoedas, são motivos para melhorias na adoção ou ao menos aumento no interesse público. 


Notícias do mundo cripto:

Jan – Exchange Cryptopia hackeada: mesmo não sendo uma das 10 maiores, possuía grande participação no volume de diversas altcoins. Caso seguiu o ano de 2019 sem solução.

Fev – JP Morgan anuncia stablecoin própria: lastreada em dólar e inicialmente utilizada apenas pelos próprios bancos e grandes empresas responsáveis por remessas internacionais.

Fev – Veriblock levanta USD 6 milhões em IEO: arrecadado valor em menos de 60 segundos na Binance. Moeda BNB reagiu com uma alta de 60% em alguns dias.

Mar – Starbucks entra de sócia na BAKKT: potencialmente levando wallet do projeto para os 15 milhões de usuários do app da varejista.

Mai – Binance hackeada em 7.000 BTCs: causando breve alarde nos mercados, porém prontamente acalmado após CZ Binance afirmar que iria arcar com o prejuízo 

Jun – Localbitcoins remove pagamento em espécie: após pressão de entidades reguladoras na Europa

Jul – China reconhece Bitcoin como propriedade: após tribunal julgar dívida de vendedor p2p que havia realizado negócio de 2,6 BTCs em 2013.

Ago – Normativa 1.888 entra em vigor: obrigando todos os intermediários de criptomoedas a informarem movimentações de clientes para a Receita Federal brasileira.

Ago – Halving do Litecoin reduz subsídio: para 12,5 moedas por bloco minerado, causando queda de 60% no hashrate nos meses seguintes.

Ago – BAKKT aprovada por NYFDS: agente regulador de NY deu aval para lançamento da bolsa de derivativos sob comando da NYSE.

Set – CBOE VanEck/SolidX cancelam pedido de ETF: faltando menos de 1 mês pra decisão final do ETF.

Set – Queda de 40% no hashrate do Bitcoin: causou susto nos mercados, embora seja uma estatística imprecisa que se regularizou em menos de 48h.

Out – ETF da Bitwise rejeitado: a maior aposta dentre os pedidos em análise havia sido negada pela SEC, mas no entanto a entidade colocou em revisão tal decisão no mês seguinte, e assim permaneceu até o fim de 2019.

Out – Discurso pró-blockchain da China: Presidente Xi Jinping surpreendeu a todos causando uma alta de quase 40% no Bitcoin, porém país reforçou nas semanas seguintes que não apoiava as criptomoedas.

Nov – Facebook e Google viram “competidores”: lançando serviços financeiros tradicionais em parceria com bancos. Movimento foi interpretado como negativo por potencialmente atrasar a adoção.

Nov – China fecha escritórios de exchanges: incluindo local utilizado por funcionários da Binance em Shanghai.

Nov – Alemanha libera criptos para bancos: permitindo que atuem na intermediação e armazenamento, conhecido como custódia de criptoativos, incluindo Bitcoin


Além das Criptomoedas

Bolsas pelo mundo

Acumulando alta de 28,9% no ano o S&P encerrou 2019 próximo da máxima histórica atingida em 27/Dez. O Federal Reserve recomprou mais de USD 400 bilhões em títulos de dívida no mercado desde 11/Set, injetando liquidez na economia e abrindo caminho pra melhorar os resultados corporativos. Já o índice FTSE 100 da bolsa de Londres encerrou o ano em alta de 12% enquanto o CSI300 da China valorizou 36%.

Foi um ano de “quanto pior melhor” para os mercados tradicionais: dados econômicos ruins eram interpretados como incentivos para estímulos pelos investidores. Uma das poucas regiões que apresentou melhora nos indicadores de emprego e crescimento foi os EUA.

Quem se deu bem:

No Brasil algumas ações tiveram um 2019 fantástico, dos quais destacam-se Banco Pan (BPNM4) +460% após forte alta no lucro e aumento de liquidez após oferta pública de ações. 

Positivo Informática (POSI3) +325% surfou a onda no aumento de consumo de smartphones e notebooks de baixo custo, seguida por Sinqia (SQIA3) +300%, antiga Senior Solutions, empresa B2B de tecnologia.

Nos EUA liderou a alta Roku +337% fabricante de gadgets para entretenimento pela TV. Em seguida ficou uma empresa asiática listada na NYSE: Sea Group (SEA) +270% dona da Garena, responsável pelas competições de League of Legends, além da Shopee – gigante de e-commerce.

Na China diversas empresas de semicondutores (chips, placas, memórias) tiveram altas superiores a 270%: Will Semiconductor, WingTech, JPMF Guangdong, GigaDevice.

Na Europa os destaques ficaram por conta de Altice Europa (ATC NV) +239%, empresa Holandesa-Francesa de telecomunicações além da startup de entrega de alimentos HelloFresh +205%.

Quem se deu mal:

O maior fracasso de 2019 definitivamente ficou por conta da MOGU (China) -90% rede social e e-commerce de moda, que falhou em apresentar lucros após forte competição no segmento.

Cederam cerca de 75%: Tilray (Canadá), produtora de cannabis sofrendo junto com todo o setor, incapaz de entregar expectativas altíssimas de vendas; Norwegian Air Shuttle (Noruega), empresa aérea após falhar na reestruturação financeira; Henkel (Alemanha) -75%, dona de marcas de beleza e limpeza doméstica, que desapontou nos dados de vendas.

No Brasil o destaque negativo ficou por conta da DOMMO (DMMO3) -70%, antiga OGX, em Recuperação Judicial. Em seguida tivemos Renova Energia (RNEW11) -45%, que entrou em Recuperação Judicial e teve uma de suas sócias vendendo fatia por R$ 1. Amargaram quedas de 40% a construtora de imóveis Gafisa (GFSA3) e a operadora de telefonia Oi (OIBR3).


Fila pra compra de ouro na Alemanha

A redução no limite de compra de ouro sem necessidade de comprovação de renda na Alemanha causou filas na cidade de Colônia. O governo articula para reduzir o limite mensal de compras de EUR 10.000 para apenas EUR 2.000. A foto acima foi tirada na porta da tradicional loja Degussa.

Os governos querem ter mais controle sobre os valores em circulação e inclusive na Itália cogita-se taxar valores armazenados em cofres. A estratégia de juros negativos incentiva a busca por ativos reais, causando alta nos preços de imóveis e metais preciosos.


CBDC – moedas digitais emitidas por Bancos Centrais

Tema super aquecido em 2019, embora sem notícia concreta. China, Inglaterra, Uruguai, Tailândia, França e Suécia são alguns dos países que confirmaram estar estudando tal possibilidade. No final do ano foi a vez do Banco Central Europeu divulgar interesse em lançar uma moeda digital própria.

Resta a dúvida se há algum benefício pro público e qual a vantagem deste sistema centralizado pro modelo atual, uma vez que as principais características de criptomoedas: previsibilidade de oferta e mecanismos anti-censura não estão presentes.


E aí, gostaram do nosso resumo? Se tiverem dúvidas ou sugestões de temas a serem abordados no mês que vem, comentem aqui embaixo! A opinião de vocês é super importante para nós.