O Bitcoin surgiu quebrando barreiras e abrindo um mundo novo de possibilidades. Seu principal avanço, em termos tecnológicos, foi o desenvolvimento da Blockchain. A ideia acabou criando outras soluções ainda mais expressivas, como é o caso da tokenização.

Atualmente, a tokenização tem abalado o mercado financeiro e criado diversas discussões ao redor do mundo sobre sua utilização e legalização. Você não sabe o que é tokenização e nem como ela funciona? Continue a leitura e entenda!

O que é e como funciona a tokenização?

Para explicar o que é tokenização, vamos usar um exemplo. Suponhamos que você seja dono de um celeiro e esteja precisando de dinheiro rápido. Ao invés de vender a propriedade de forma tradicional, é possível criar tokens que representem o seu celeiro no mundo virtual.

Você poderá criar, por exemplo, o token “CLR” – sendo que cada um representará 5% da sua propriedade (ou o valor que você desejar). Você ainda será o dono do celeiro e continuará trabalhando para que ele dê lucro, mas poderá vender esses tokens para outros interessados.

Todo o processo de tokenização poderá ser feito desenvolvendo um contrato inteligente em uma blockchain. O algoritmo definirá os recursos importantes do seu token, como valor, quantidade, denominações, nome e outros.

A partir disso, esse token precisará de uma plataforma que suporte contratos inteligentes, para que possa ser comercializado nas exchanges – a Ethereum é a mais usada para essa finalidade.

Apesar de tecnicamente existir alguns passos essenciais, em termos bem básicos, para criar um token, você precisará de um modelo de contrato inteligente, um editor de texto e um endereço de carteira Ethereum.

Pronto, agora você já poderá colocar seus tokens em circulação. A partir do momento que eles entrarem no mercado, o valor de cada token poderá aumentar ou diminuir dependendo da demanda.

Esse é um exemplo simples para explicar como funciona a tokenização – mas a ideia pode ser expandida para, praticamente, qualquer coisa, bastando, para isso, criar uma representação digital em uma blockchain. Assim, vários ativos podem ser tokenizados, como obras de arte, times de futebol, bens imobiliários e muitos outros.

A partir desse exemplo, podemos resumir um token como um contrato digital emitido a partir da tecnologia blockchain, linkado a um documento jurídico que representa um ativo real. Dessa forma, quem é dono de um token é detentor também da parte representativa desse ativo. No caso fictício do nosso celeiro, quem detém 1 CLR, detém 5% do celeiro.

Embora pareça um pouco “fantasioso” para algumas pessoas, a tokenização já funciona com os ativos digitais – mas a tecnologia blockchain permite extrapolar essa noção de descentralização para diversos usos.

Quais os benefícios da tokenização?

A partir da explicação acima, já deu para perceber vários benefícios da tokenização, não é mesmo?

Com a tokenização os processos de custódia, compliance, transação, verificação e controle de ativos das partes envolvidas são mais descentralizados – o que significa custos menores, transações mais fáceis e acesso democratizado.

Vamos voltar ao nosso exemplo do celeiro. Ao invés do proprietário ter que pagar inúmeros intermediários e vários gastos com a papelada, ele apenas teve que programar um contrato inteligente, o que reduziu drasticamente os custos administrativos de compra e venda.

Além disso, como em todo o comércio de criptomoedas, os tokens estão à venda 24 horas por dia, 7 dias por semana, em qualquer lugar do mundo, sendo muito mais acessíveis.

Para quem compra os tokens, também há muitos benefícios. Afinal, é muito mais fácil ter acesso a uma parte do celeiro e seus respectivos lucros a partir da tokenização, do que comprar um celeiro inteiro da forma tradicional.

Essa democratização pode ser estendida a praticamente tudo, desde ações, até imóveis, arte, e outros ativos.

Tokenização x Mercado tradicional

Embora seja algo revolucionário, a ideia por trás da tokenização não é nova – e existe uma versão bem conhecida no mercado tradicional: a securitização.

Esse é o processo de reunir vários tipos de obrigações contratuais de dívida (hipotecas, empréstimos, dívidas de cartão de crédito etc.) e vender seus fluxos de dinheiro à terceiros como valores mobiliários que podem ser descritos como títulos, valores mobiliários de repasse ou obrigações de dívidas colateralizadas (CDOs).

A diferença está, justamente, no uso da blockchain para fazer esse processo. É isso que torna a tokenização tão mais acessível e democrática.

O diferencial da tokenização é usar a tecnologia blockchain para criar representação digital para diferentes ativos.

Tipos de tokens

Como vimos até aqui, um token é a representação digital de um ativo ou utilitário específico. Mas é importante explicar que existem 3 tipos de tokens diferentes que são encontrados nas exchanges.

Utility tokens

Esses tokens são os que fornecem acesso futuro a um produto ou serviço. Assim, o dinheiro que você paga no token permite que as startups levantem capital e desenvolvam esse produto ou serviço.

Nem sempre esses utility tokens são investimentos. Mas é claro que a maioria das pessoas compra esses tokens na esperança de que seu valor aumente junto da demanda pelo produto ou serviço desenvolvido.

Tokens de moeda

O primeiro exemplo que vem à cabeça quando falamos de tokenização são os tokens de moeda, associados às criptomoedas. Eles são criados nas suas próprias blockchains, não são baseados em ativos e seu valor está diretamente vinculado ao mecanismo que os distribui.

O objetivo dos tokens de moeda é serem negociados, gastos e recebidos – como ocorre com o Bitcoin e outras criptomoedas.

Security token

São os tokens que representam um investimento direto. Para definir se você está diante de um security token basta se questionar: ele está sendo vendido como um investimento? Espera-se lucro dele? Esses lucros dependem dos esforços do promotor e de terceiros?

Se a resposta para essas perguntas for “sim”, ele pode ser considerado um security token. Como é o caso do nosso exemplo do CLR.

A legalidade e os desafios da tokenização

A tokenização é, realmente, uma ideia revolucionária e que pretende democratizar o acesso a inúmeros ativos, mas ainda esbarra nas questões legais. Afinal, é importante garantir que o token realmente represente e garanta o direito do comprador ao ativo.

Para resolver essa questão, várias empresas estão buscando por soluções, algumas são Polymath, Securitize, Harbor, OpenFinanceNetwork, AirSwap etc.

Uma dessas startups é a STP (Standard Tokenization Protocol) que está desenvolvendo um validador on-chain para garantir os regulamentos específicos da região.

Em tese, ele verificaria se todos os requisitos de combate à lavagem de dinheiro e KYC são atendidos pela empresa e avalia diferentes empresas de gerenciamento de identidade digital para a tarefa. Assim, um acordo apenas ocorreria caso todos esses regulamentos fossem seguidos.

Outra solução é da Tokenized, que visa criar tokens para ativos do mundo real na blockchain do Bitcoin. A empresa afirma que sua plataforma permite às autoridades legais emitirem ordens judiciais assinadas digitalmente que podem levar ao congelamento do contrato inteligente, com a possibilidade de confisco de tokens, o que poderia convencer os reguladores.

Atualmente, já existem security tokens emitidos e circulando no mercado, como o SPICE VC Token – um token que representa uma “cota” num fundo de investimentos em Venture Capital, emitido em Cingapura, que investe em startups globais e que recebe investimentos de pessoas de todo o mundo.

A tokenização enfrenta desafios como a questão da legalidade e das regulações específicas de cada país ou região. Apesar disso, é uma ideia revolucionária com inúmeros benefícios.

De qualquer forma, tudo ainda depende das regulações específicas de cada país. Existem, até, alguns escritórios de advocacia especializados no assunto e jurisdições que estão se inclinando a aceitar esse novo mercado, como é o caso da Suíça.

Conclusão

Neste conteúdo, você viu que a tokenização é a transformação de um ativo do mundo real em um ativo digital, que pode ser fracionado e comercializado entre investidores do mundo todo – tudo isso por meio da tecnologia da Blockchain.

Ainda existem, é claro, muitos pontos a serem discutidos sobre essa questão, especialmente em torno da legalidade dos tokens e das conformidades para que cada token represente, realmente, um ativo de verdade.

Apesar disso, os especialistas estão entusiasmados e veem nos tokens um futuro interessante para o mercado financeiro que deverá evoluir muito nos próximos anos.

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